1Gaivota – É impossível viver sem teatro estreia dia 17 de abril no Teatro Anchieta – SESC Consolação

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Matéria e foto: Divulgação

O clássico russo de 1895 escrito por Anton Tchekhov ganha versão “refrescada” de Nelson Baskerville para cumprir temporada nos teatros Anchieta/SESC Consolação, Alfredo Mesquita e Cacilda Becker, entre 17 de abril e 07 de junho.

Classificada pelo autor como “comédia em 4 atos” a encenação transporta a ação para uma fazenda em Campos do Jordão, onde os proprietários em dificuldades financeiras divertem-se, amam, bebem e machucam-se. No palco, ora personagens, ora atores, lançam a pergunta: é impossível viver sem teatro?

A Gaivota, um clássico do teatro universal, é uma obra que discute a falta de comunicação e a impossibilidade de entendimento entre nós, habitantes desse planeta, perdidos entre o amor, a vida, a morte e a arte, quatro temas sobre os quais se erguem as principais obras da dramaturgia universal.

Em cena, ator e personagem se misturam no desejo de revelar ao público os mecanismos do jogo teatral como se pudéssemos dissecar não só as almas da cena e as relações entre esses personagens, mas os diversos pontos de vista que podemos ter quando enxergamos o avesso, os bastidores, dos acontecimentos. Mostramos a mágica e o truque de mágica ao mesmo tempo, deixando que o truque seja também mágica.

“Assisti, ao longo da minha vida e carreira, algumas montagens de A Gaivota de Tchekhov: a montagem de Francisco Medeiros que inaugurava o porão do Centro Cultural, em 1994, à montagem do National Theatre com Ian Mc Kellen (2007) passando pela belíssima montagem de Enrique Diaz (2006), entre outras. E me pergunto sempre antes de qualquer espetáculo em que esteja envolvido (é uma obsessão): por que montar uma peça que conheço tanto? Porque não sei fazê-la. Sei que não quero reproduzir mais uma encenação clássica sobre um texto clássico. Não tenho nenhum interesse em encenar clássicos se não puder contextualizá-los nos dias atuais. Meu interesse consiste em fazer com que esses clássicos (são clássicos porque podem ser montados em qualquer época e tem infinitas possibilidades de leituras) se comuniquem com as plateias de hoje acostumadas com várias mídias e com acesso ilimitado a uma grande quantidade de informação”, afirma Baskerville.

Responsável pela trilha sonora composta para o espetáculo, Daniel Maia explica: “foram compostos temas que contrastassem o ‘velho’ e o ‘novo’; inspirados pelo rock melancólico dos anos 2000, porém mergulhados em texturas de cordas e acordeons. Desta forma a música tenta uma ruptura com o ‘velho teatro’ ao mesmo tempo em que vive nele.”

Sobre os figurinos, Marichilene Artisevskis conta que “a ideia vem das imagens e pesquisas feitas com base na Rússia de 1899, trazendo isso para o contemporâneo. São figurinos de formas simples, mas com cores intensas e fechadas. Eles serão envelhecidos em duas etapas, fazendo com que isso dialogue com o cenário e luz”.

A cenografia do espetáculo, assinada por Amanda Vieira eNelson Baskerville, traz a tona todo o principio de encenação do diretor, onde o ambiente é construído através de elementos, onde nada é perfeito e limpo.

A montagem pretende desnudar a teatralidade com tudo a mostra, o teatro exposto, tudo revelado, até mesmo o camarim que fica diante do publico, numa fusão de peça real e peça ficção.

“Teremos muitos mecanismos e interferências a mostra, o cenário é composto por módulos andantes, cada módulo com seu elemento. Cada ato possui um modulo principal, como o primeiro ato, onde o palco da peça de Kóstia toma o centro do nosso palco real. Os elementos nunca saem de cena, nada é escondido e com isso toda a movimentação cenográfica é feita na frente do espectador, o cenário se desloca pelo espaço, como os atores em cena. E a cada mudança de ato, o cenário acompanha a história e ânimo dos personagens, até chegar ao último ato, podre, abandonado, como a alma dos personagens”, afirma a dupla.

Serão usados todos os recursos que o teatro e as mídias modernas permitem usar, como vídeo e microfones. Os recursos de vídeo se integram ao cenário. O travelling e a câmera são mais um elemento de cena, as telas de projeção sobem e descem, ganhando tamanho e proporções conforme a necessidade do momento. Microfones e pedestais também estão ali como mais um elemento. E todo esse revelar, se confunde na intimidade e ganha camadas através de plásticos. “Só Nina tem acesso ao palco de Kóstia, por isso a vemos através de um plástico, assim como o camarim, que apesar de estar em cena também é revestido por plástico, criando camadas entre espectador e ator”, explicam Amanda e Nelson.

1 Gaivota é muito importante para Nelson Baskerville, pois nela o diretor dá continuidade aos trabalhos da sua antiga companhia, a Antikatártika Teatral (AKK), retomada que começou com o espetáculo A Geladeira, que estreou em 2014. A companhia criada em 2004 por Nelson Baskerville procurava as manifestações épicas em textos ainda enquadrados no gênero dramático.

Sobre Nelson Baskerville – diretor

Prêmios: – Por “Luis Antonio – Gabriela”: Shell 2011 de melhor direção, APCA 2011 de melhor espetáculo, Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro 2011 de melhor direção, Prêmio Governador do Estado de São Paulo 2011 de melhor espetáculo (júri popular).

– Por “Porque a criança cozinha na polenta”: FETACAM (Festival de Teatro de Campo Mourão) de melhor espetáculo, melhor direção, melhor texto adaptado e melhor sonoplastia, MOSTRA DE TEATRO DE JUNDIAÍ de texto inédito/adaptado e Especial do Júri, FESTE Festival Nacional de Teatro de Pindamonhangaba de melhor espetáculo e melhor direção, no 4º Tablado Mogi de Teatro de melhor espetáculo, no FENATA Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa – PR de melhor espetáculo e direção, entre outros.

Formação: Escola de Arte Dramática – USP, ator e assistente de direção de Fauzi Arap, Dramaturgia com Chico de Assis no dentro do projeto “Tarô dos Ventos” de Fauzi Arap -Teatro de Arena, Núcleo dos Dez de Dramaturgia com Luis Alberto de Abreu, Extensão em interpretação da técnica de Stanislavsky com Decano da Academia de Artes de Moscou, professor Valentin Trepliakov.

Experiência profissional: Em teatro, como diretor:- “A Geladeira” de Copi – AKK Teatral; – “As Estrelas Cadentes do Meu Céu são feitas de Bombas do Inimigo” – Cia Provisório-Definitivo; – “Lou&Leo” de Leo Moreira Sá; – “Córtex” de Franz Keppler; – “Credores” de August Strindberg – Cia Mamba das Artes; – “17x Nelson – Parte ll – Se não é eterno não é amor” de Nelson Rodrigues; – “Os 7 gatinhos” de Nelson Rodrigues; – “A Falecida” de Nelson Rodrigues – Teatro do Kaos; – “Brincando com Fogo” de August Strindberg – Cia Mamba das Artes; – “Luis Antonio – Gabriela” de Nelson Baskerville, entre outras.

Sobre Renato Borghi

Fundou o Teatro Oficina em 1958, juntamente com José Celso Martinez Corrêa, onde realizou os trabalhos: “Pequenos Burgueses”, “Andorra”, “Rei Da Vela”, “Galileu Galilei” e “Na Selva Das Cidades”. Nos anos 70, fundou o Teatro Vivo com Estér Góes e, juntos, produziram os espetáculos: “O Que Mantém Um Homem Vivo” e “Mahagonny” de Brecht, “Murro Em Ponta De Faca” de Augusto Boal, “Um Grito Parado No Ar” de Gianfrancesco Guarnieri e “Calabar” de Chico Buarque e Ruy Guerra.

Outras peças como ator: “Galilei – A Vida de Galileu por Bertolt Brecht”, “Tio Vânia”, “O Jardim das Cerejeiras”, “Macbeth”, “Timão de Atenas”, “Os 7 Gatinhos”, “O Casamento” e “Azul Resplendor”

Como dramaturgo escreveu as peças: “A Estrela Dalva”, “Lobo De Ray Ban” e “Decifra-me ou Devoro-te”, “Senhora do Camarim”, “Édipo de Tabas”, que também dirigiu.

Prêmios: Molière e Associação Paulista de Críticos Teatrais – APCT, de melhor ator pela peça “O Rei da Vela”, direção José Celso Martinez Corrêa; Molière de melhor ator pelas peças “Pequenos Burgueses”, de Máximo Gorki e “Andorra”, texto de Max Frisch direção de José Celso Martinez Corrêa ; Molière, Mambembe, APCA e Apetesp de melhor autor pela peça “Lobo de Ray-Ban”; Apetesp de melhor autor pelo texto “Decifra-me ou Devoro-te”.

Sobre Elcio Nogueira

Fundou o Teatro Promíscuo com Renato Borghi onde idealizou, dirigiu e protagonizou vários espetáculos e projetos, como: “Édipo De Tabas”, “Tio Vânia”, “Jardim Das Cerejeiras”, “Mostra De Dramaturgia Contemporânea”, “Borghi Em Revista”, “Timão De Atenas”, “Macbeth”, entre outros.

Como ator participou das peças: “Ham-Let”, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, “Os 7 Gatinhos”, ente outras.

Prêmios: SHELL e APCA por sua atuação na Mostra de Dramaturgia Contemporânea; Villanueva (Cuba) com a peça “EMBAIXADA DO TEATRO BRASILEIRO” como melhores espetáculos internacionais.

Sobre Paschoal da Conceição

Estreou nos palcos em 1972. Foi aluno da EAD/ECA USP, saiu para o Teatro Oficina, onde trabalhou para o tombamento, desapropriação e construção do novo teatro sob a direção de José Celso Martinez Corrêa; fez “Hamlet”, “As Bacantes”, “Para dar um fim no Juízo de Deus!”, “Taniko”, “Mistérios Gozozos”, entre outras peças.

Na última década, participou dos espetáculos: 2013 – “O Duelo”, de Anton Tchekhov, com a Mundana Companhia; 2012 – “BARAFONDA”, de Cia. São Jorge de Variedades, a partir da história do bairro da Barra Funda; 2007 – “Salmo 91″, de Dib Carneiro Neto, a partir do livro de Dráuzio Varela; 2006 – “A Louca de Chaillot”, de Jean Giraudoux, direção de Ruy Cortez; 2006 – “Centro nervoso”, texto e direção de Fernando Bonassi; 2005 – “Mário de Andrade desce aos infernos”, co-direção com Maria Alice Vergueiro e Georgette Faddel; 2004 -”Tarsila”, de Maria Adelaide Amaral, direção de Sérgio Ferrara; 2002-2005 – “Os Sete afluentes do Rio Ota”, de Robert Lepage, direção de Monique Gardenberg e 2001 – “Novas diretrizes em tempos de paz”, de Bosco Brasil, direção de Ariela Goldman Fadel.

Na televisão fez “Telecurso 2000”, participou de novelas e programas das redes Globo e Record, além das minisséries em que interpretou o poeta Mário de Andrade. Foi também o Dr. Abobrinha, do “Castelo Rá-Tim-Bum”, personagem que lhe rendeu reconhecimento nacional até os dias atuais.

Sobre Noemi Marinho

Noemi Marinho é atriz formada pela Escola de Arte Dramática – EAD/USP, em 1977. Nos anos 80 e 90, trabalhou com os grupos Mambembe e Tapa. Em seguida começou a escrever para teatro no Seminário de Dramaturgia para Atores, ministrado por Chico de Assis, além de dirigir também.

Referência na arte cênica nacional, Noemi já foi dirigida por Elias Andreato, Marcia Abujamra, Eduardo Tolentino, Francisco Medeiros, Paulo Betti, Jorge Takla, Márcio Aurélio, dentre outros.  Recentemente esteve no elenco de “Sit Down Drama” com direção de Eric Lenate e texto de Michelle Ferreira.

Em cinema participou dos filmes: “Jogo Das Decapitações” de Sérgio Bianchi, “Não Por Acaso” de Philippe Barcinski, “vale o quanto pesa ou é por quilo?” de Sérgio Bianchi, “Louco Por Cinema!” de André Luís Oliveira e “P.S.: Post Scriptum” de Romain Lessage.

Prêmios: APCA 1978, atriz revelação pela peça “O Segredo do Velho Mudo”; MAMBEMBE 1988, melhor atriz pela peça “Risco e Paixão”; APETESP 1988, autor revelação pela peça “Fulaninha & Dona Coisa”; SHELL 2001, melhor autor pela peça “Homeless”; APETESP 2003, melhor autor pela peça “Almanaque Brasil”.

Sobre a Companhia AKK

A Companhia Antikartátika Teatral (AKK) foi criada em 2004 por Nelson Baskerville, que em parceria com diversos artistas procura as manifestações épicas em textos ainda enquadrados no gênero dramático. Com a primeira formação montaram “17X Nelson – O inferno de todos nós” de Nelson Rodrigues e “Camino Real” de Tennessee Williams. Em 2007 o diretor foi convidado do Teatro Oficina de Portugal a dirigir “Christmas Carol” de Connor Mac Pherson e retornando ao Brasil trabalhou e formou algumas companhias teatrais, dirigindo grandes sucessos de público e crítica entre eles: Luís Antônio-Gabriela, de sua autoria e direção.

Ficha técnica:
Autor: Anton Tchekhov
Adaptação e direção geral: Nelson Baskerville
Assistente de direção: Felipe Schermann
Elenco: Renato Borghi, Noemi Marinho, Pascoal da Conceição, Élcio Nogueira, Julia Ianina, Rafael Primot, Thais Medeiros e Erika Puga
Figurino: Marichilene Artisevskis
Cenário: Amanda Vieira E Nelson Baskerville
Direção musical: Daniel Maia
Desenho de luz: Wagner Freire
Projeto de vídeo: Raimo Benedetti
Direção de produção: Carla Estefan
Idealização: Antikatártika Teatral (Akk)Serviço

Serviço:
• 1 Gaivota – É impossível viver sem teatro (de 17 de maio de abril a 24 de maio)
Gênero:
Drama
Duração:
120 minutos
Ingressos:
– R$ 40,00
– R$ 20,00 (usuário matriculado, a partir de 60 anos e estudantes com carteirinha)
– R$ 12,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes)
Quando: Sexta e sábado (20h) e domingo (18h)
Local: Teatro Anchieta – Sesc Consolação (Rua Doutor Vila Nova, 245, Consolação)
Censura: 16 anos

• 1 Gaivota – É impossível viver sem teatro (de 27 de maio a 31 de maio)
Gênero:
Drama
Duração:
120 minutos
Ingressos: Gratuitos
Quando: Quarta a sábado (20h) e domingo (18h)
Local: Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1.770, Santana)
Censura: 16 anos

• 1 Gaivota – É impossível viver sem teatro (de 03 de junho a 07 de junho)
Gênero:
Drama
Duração:
120 minutos
Ingressos: Gratuitos
Quando: Quarta a Sábado (20h) e domingo (18h)
Local: Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295, Lapa)
Censura: 16 anos

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