2a Mostra de Teatro de Heliópolis promove encontro de artistas periféricos de São Paulo

Crédito: Divulgação
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Ruas, vielas e teatro são palcos para as oito atrações gratuitas do evento, que acontecem de 30 setembro a 2 de outubro na Comunidade de Heliópolis e arredores.

Matéria: Divulgação

Idealizada pela Cia. de Teatro Heliópolis e pela produtora MUK, a 2a Mostra de Teatro de Heliópolis tem como objetivo difundir e discutir o teatro produzido por grupos e artistas que desenvolvem seus trabalhos em regiões periféricas de São Paulo. A curadoria é de Alexandre Mate, professor do Instituto de Artes da Unesp e pesquisador do Núcleo Paulistano de Teatro de Grupo.

A Mostra – que tem entrada franca em todas as sessões – ocorre entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro – e em diversos pontos da Comunidade de Heliópolis e do bairro do Ipiranga. A programação é formada por três peças teatrais (adulto), quatro espetáculos de rua, uma intervenção de rua e rodas de conversa com os grupos participantes.

Participam desta edição grupos Ciclistas Bonequeiros (Uma Saga Macunaímica), Trupe Lona Preta (O Perrengue da Lona Preta), Bando Trapos (Foi o que Ficou… Do Bagaço), CompanhiaDaNãoFicção (Procura-se Ninguém), Coletivo Quizumba (Oju Orum), Família Fodaccio (O Espetaculoso Espetáculo da Família Fodaccio), Companhia do Miolo (Taiô) e Coletivo Negro (Revolver).

O evento – que, na primeira edição, atraiu mais de 2.500 espetadores, reuniu mais de 120 artistas e teve 20 atrações, somando mais de 35 horas de atividades culturais gratuitas -, neste ano tem versão mais enxuta. Sem verbas de editais ou patrocinadores, a 2a Mostra de Teatro de Heliópolis é uma realização independente, por meio de recursos dos próprios idealizadores, além de uma campanha de crowdfunding que arrecadou R$ 950,00.

A direção artística é assinada por Miguel Rocha, fundador da Cia. de Teatro Heliópolis. Daniel Gaggini, responsável por projetos como Vira-Latas de Aluguel e Cine Inclusão, está à frente da direção produção do evento, realizado pela Cia. de Teatro Heliópolis e MUK.

Programação:

30 de setembro (sexta-feira)

16h – Uma Saga Macunaímica (teatro de rua)

Crédito: Divulgação
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Grupo: Ciclistas Bonequeiros
Texto e direção: Gustavo Guimarães Gonçalves
Elenco: Gustavo Guimarães Gonçalves e Gabriela Fiorentino
Duração: 60 min
Local: Rua Coronel Silva Castro, S/N (em frente à Ação Comunitária Nova Heliópolis)

Sinopse:

O público (um de cada vez) espia um miniteatro de bonecos, instalado sobre a garupa de uma bicicleta, que conta a história de Macunaíma, personagem do escritor Mário de Andrade sobre o “herói preguiçoso de nossa gente”. Macunaíma  se cansa de “dançar pra ganhar vintém”, se cansa da terra e resolve ir pro céu. Assim, pode tornar-se estrela e brilhar no céu.

20h – *O Perrengue da Lona Preta (teatro adulto)

Crédito: Marina Cavalcante
Crédito: Marina Cavalcante

Grupo: Trupe Lona Preta
Direção: Sergio Carozzi
Elenco: Joel Carozzi, Sergio Carozzi
Duração: 60 min
Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533, Ipiranga. 80 lugares)
* Após o espetáculo haverá roda de conversa com o grupo

Sinopse:

O “sagrado” direito à propriedade privada, símbolo da cultura oficial, é reinterpretado em O Perrengue da Lona Preta, um espetáculo inspirado na tradição circense. No enredo,os palhaços Rabiola e Chico Remela reconstroem, de forma divertida, os símbolos pretensamente eternos da ordem vigente.


1º outubro (sábado)

14h – Foi o que Ficou… Do Bagaço (teatro de rua)

Crédito: Dessa Souza
Crédito: Dessa Souza

Grupo: Bando Trapos
Texto e direção: O grupo
Elenco: Deco Morais, Joka Andrade e Daniel Trevo
Duração: 75 min.
Local: Rua do Pacificador, 34 (Heliópolis. Em frente ao Cine Favela)

Sinopse:

Três palhaços andarilhos encontram um circo abandonado. Cada um, ao seu tempo e à sua maneira, descobre esse universo mágico. Ocupam o espaço e se apropriam das ferramentas que ele oferece. Porém, isso acontece da maneira mais picareta possível: um dos palhaços já se intitula dono do circo. O tempo todo, um tenta puxar o tapete do outro e, mesmo com os conflitos, o circo se põe em andamento. Cada um vai assumindo uma função e, ao longo do espetáculo, eles propõem ao público o encantamento e a reflexão, mas sem abrir mão do riso.

16h – Procura-se Ninguém (intervenção de rua)

Crédito: Chico Castro
Crédito: Chico Castro

Grupo: CompanhiaDaNãoFicção
Direção geral: Fabiana Monsalú
Concepção: Vanessa Silva Hoschett e Fabiana Monsalú
Duração: 90 min
Local: CEU Heliópolis – início do trajeto (Estrada das Lágrimas, 2385)

Sinopse:

A intervenção trata a cidade enquanto fronteira, construída por contornos incertos que só podem ser vistos ao percorrê-la. Procura-se Ninguém gera uma dinâmica que mobiliza o corpo social e torna visível o invisível na cidade, por meio das memórias e do próprio ato de caminhar como prática estética. Durante a trajetória poética, o indivíduo se transforma em um “navegante” e é conduzido pelas ruas por disparos sinestésicos e por um “áudio tour” que utiliza a Odisseia, de Homero, como inspiração literária, para o diálogo com a cidade. A trajetória poetiza a relação com a cidade e a relação entre as pessoas, perdida no abismo do cotidiano do mundo moderno, muitas vezes automatizado e veloz.

20h – *Oju Orum (teatro adulto)

Crédito: Alícia Peres
Crédito: Alícia Peres

Grupo: Coletivo Quizumba
Texto: Tadeu Renato
Direção: Johana Albuquerque
Elenco: Camila Andrade, Jefferson Matias, Kenan Bernardes, Thais Dias e Valéria Rocha
Duração: 90 min
Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533, Ipiranga. 80 lugares)
* Após o espetáculo haverá roda de conversa com o grupo

Sinopse:

De Oju Orum um grande rio se fez, dando origem a outras três corredeiras. Alice, menina do sertão nordestino: água presa na cabeça sonhadora; Alzira, mineira fluída que não se prende por palavras nem braços; e Anita, adolescente da periferia paulistana: riacho que corre sob os pés, desestabilizando certezas e provocando redemoinhos. São quatro narrativas que se cruzam, se tocam e se misturam na correnteza do tempo.


2 de outubro (domingo)

15h – O Espetaculoso Espetáculo da Família Fodaccio (teatro de rua)

Crétido: Gabi Gomes
Crétido: Gabi Gomes

Grupo: Família Fodaccio
Elenco: Leandro Cenci, Mariana Taques e Patrick Castilho
Orientação: Ronaldo Aguiar
Duração: 40 min.
Local: Viela 1º de Maio, S/N (Heliópolis. CEP: 04235-020)

Sinopse:

A Família Fodaccio é uma trupe mambembe formada por três personagens “sonsos” que fazem números charlatões com a intenção de deixar o nome da família vivo junto à tradição do circo. Mixinga, Provisório e Elmira apresentam comandam O Espetaculoso Espetáculo da Família Fodaccio.

16h – Taiô (teatro de rua)

Crédito: Larissa Alves
Crédito: Larissa Alves

Grupo: Companhia do Miolo
Texto: Jé Oliveira
Direção: Renata Lemes
Elenco: Alexandre Krug, Edi Cardoso, Jé Oliveira, Izabela Pimentel, Leonardo Costa, Fabrício Cardeal
Duração: 50 min
Local: Rua Paraíba, S/N (Heliópolis, Rua do Copa Rio, CEP: 04235-300)

Sinopse:

Nesta montagem, a Cia. do Miolo investiga a possibilidade da construção de asas, enquanto metáfora da potencialidade humana. Música e poesia se encontram para ressoar a voz de um povo-pombo, cansado das migalhas do chão, que descobre asas para tentar alçar longos voos. O espetáculo se inicia com cenas quânticas em que as figuras/atores se dirigem a uma pessoa ou a pequenos grupos para dialogar: apresentam suas questões e convidam o espectador a voar como pipas, que bailam ao sabor do vento e, mesmo “taiadas”, ressurgem novas e coloridas no imenso lençol azul do céu.

20h – Revolver (teatro adulto)

Crédito: Patrícia Miranda
Crédito: Patrícia Miranda

Grupo: Coletivo Negro
Dramaturgia: processo colaborativo com Coletivo Negro e Rudnei Borges
Direção: Aysha Nascimento
Elenco: Flavio Rodrigues e Rafhael Garcia
Duração: 60 min.
Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533, Ipiranga)
* Após o espetáculo haverá roda de conversa com o grupo

Sinopse:

Em volta da última árvore que restou no mundo, um Baobá, os dois andejos – Kizúa e Izô – se encontram. Esquecidos nos estirões do tempo futuro, eles reinventam o passado e retornam às memórias não tão distantes.


Ficha técnica – 2ª Mostra de Teatro de Heliópolis:
Idealização: Cia de Teatro Heliópolis e MUK
Direção: Miguel Rocha
Direção de produção: Daniel Gaggini
Curadoria: Alexandre Mate
Olhares críticos: Alexandre Mate, Maria Fernanda Vomero, Beatriz Callo e Leticia Monteiro.
Diretor técnico: Toninho Rodrigues (Ton Light)
Produção: Dalma Régia
Produtora assistente: Luh Moreira
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena
Designer gráfico: Camila Teixeira
Fotos e vídeos: Geovanna Gelan
Revisão ortográfica: Luciana Rossi
Assistente de produção: Klaviany Costa, David Guimarães, Alex Mendes, Donizete Bomfim, Hanna Costa e Léo Gonzaga.
Realização: Companhia de Teatro Heliópolis e MUK

Serviço
2ª Mostra de Teatro de Heliópolis (de 30 de setembro até 2 de outubro)
Quando: 
Sexta, sábado e domingo
Locais: Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1.533 – e ruas da Comunidade de Heliópolis)
Ingressos: Grátis
Classificação: livre

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