Adeus, Palhaços Mortos se apresenta dias 2, 3 e 4 de dezembro no Teatro de Conteiner.

Crédito: Victor Iemini

Matéria: Divulgação

O premiado espetáculo Adeus, Palhaços Mortos (Prêmio Shell de melhor cenário; Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Espetáculo de Grupo e Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Direção) volta em curtíssima temporada em São Paulo, depois circular por cidades do interior do estado, Rio de Janeiro e Taipei, Taiwan. A obra do romeno Matei Vişniec, dirigida e adaptada por José Roberto Jardim, resulta em um espetáculo contemporâneo e provocativo que problematiza o próprio fazer artístico.

Três grandes artistas circenses do passado acidentalmente se reencontram, depois de muitos anos, na antessala de uma agência de empregos. Eles sabem que só um será escolhido. Nesse dia suas amizades, memórias, segredos, pequenezas e vilanias serão expostos, criando, dessa maneira, uma ode ao ofício do ator e uma profunda reflexão sobre os fundamentos filosóficos da carreira artística. A sala de espera desse teste de casting, que nunca acontece, se revela um não-lugar, um limbo onde estas três figuras se vêem condenadas a rever suas escolhas éticas e estéticas, num exercício infinito de reflexão sobre a resiliência do artista, a urgência da Arte e a sacralidade do ofício. Essa peça marca a consolidação da parceria artística entre a companhia Academia de Palhaços e o diretor José Roberto Jardim, que já trabalharam juntos em diversas ocasiões e configurações, mas que pela primeira vez se encaram como elenco e diretor. O espetáculo recebeu o prêmio Shell de melhor cenário e o Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Espetáculo de Grupo e Melhor Direção, e representou o Brasil no Festival World Stage Design 2017 em Taipei, Taiwan.

A Academia de Palhaços, fundada por atores oriundos do curso de artes cênicas da Unicamp, comemora em 2016 os nove anos de sua trajetória de pesquisa e produção teatral continuada. A companhia iniciou-se em uma investigação cênica sobre o palhaço de picadeiro brasileiro e em seus dez espetáculos produzidos até o momento transitou pelo universo do ator popular. Cinco desses espetáculos eram realizados sobre uma Kombi-Palco num grandioso projeto de teatro itinerante. Em 2015, essa Kombi se incendiou e queimou cenários, figurinos, palco e equipamentos de som e iluminação. Diante dessa catástrofe que reduziu anos de trabalho literalmente à cinzas, a companhia viu seu próprio fim. Dois de seus integrantes desistiram do teatro e os três que restaram, Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio, tiveram que lidar com o inevitável fim/recomeço de uma mudança de ciclo. Perante essa necessidade de se reinventar,convidaram o diretor José Roberto Jardim justamente no intuito de reler sua trajetória artística a partir de outras lentes, pois Jardim trabalha numa perspectiva estética bastante distante da pesquisa da companhia, tendo seu olhar voltado ao teatro contemporâneo, suas performatividades, porosidades e rizomas.

José Roberto Jardim respondeu ao chamado da companhia trazendo o texto “Um Trabalhinho Para Velhos Palhaços” de Matei Vişniec, que trata justamente de três artistas circenses diante do fim de suas existências, de suas carreiras e da Arte. Uma metáfora perfeita para catalisar artisticamente o momento de fim/recomeço da Academia de Palhaços e seus três atores. Essa empreitada entre cia. e diretor, apoiada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, reúne também uma premiada equipe de criadores: Tiago de Mello, o diretor musical, é um dos expoentes mais profícuos da música experimental eletroacústica do Brasil; o cenário e as vídeo-projeções ficaram a cargo do Coletivo BijaRi, um grupo de arquitetos, artistas plásticos e vídeo-makers especializados em instalações e mapping; o figurino foi desenhado e criado pelo estilista Lino Villaventura e o visagismo é assinado por Leopoldo Pacheco. Essa frutífera equipe e suas contribuições alçaram o projeto a novos patamares.

O texto original de Matei Vişniec conta a história de três palhaços velhos num tom de comédia do absurdo, ao melhor estilo de seu conterrâneo Eugène Ionesco. Já a adaptação, assinada pelo diretor José Roberto Jardim, essencializa o texto, universalizando muitas de suas questões, deixando suas contradições mais aparentes e o transformando num ácido mergulho existencial sobre o fazer artístico. A encenação potencializa ainda mais a adaptação ao reduzir elementos, apostando no minimalismo e na essencialidade, traços esses marcantes da assinatura de Jardim como diretor. “Cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando nas memórias individuais e coletivas daquela trupe circense, são vozes do passado ecoando em busca de algum sentido” diz o diretor José Roberto Jardim. O espectador ao ser impactado pela violência dos deslocamentos espaço-temporais é convidado a um passeio pelas questões que movem estes velhos artistas desdeseu passado de glória até seu inevitável futuro. “Propusemos uma experiência sensorial que transita entre o abismo da morte e a devoção de uma vida voltada à arte e que, portanto, mira a imortalidade”, conclui Paula Hemsi, uma das atrizes da Academia de Palhaços.

Sinopse:

Três grandes artistas circenses do passado acidentalmente se reencontram, depois de muitos anos, em uma agência de empregos. Eles sabem que só um será escolhido.

Ficha técnica:
Texto original: Matei Vişniec
Direção e adaptação: José Roberto Jardim
Elenco: Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio
Direção musical: Tiago de Mello
Cenografia e vídeo-instalação: BijaRi
Figurino: Lino Villaventura
Visagismo: Leopoldo Pacheco
Iluminação: Paula Hemsi e José Roberto Jardim
Direção de produção: Carol Vidotti
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Fotografia: Lígia Jardim e Victor Iemini
Suporte institucional: Cooperativa Paulista de Teatro
Patrocínio: Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo
Realização: Academia de Palhaços

Serviço:
Adeus, Palhaços Mortos

Gênero: Drama
Quando: 02, 03 e 04/12 (20h)
Local: Teatro de Conteiner (Rua dos Gusmões, 43, Santa Ifigênia)
Ingressos: R$ 30,00/ R$ 15,00/ R$ 05,00 (moradores da Santa Ifigênia)
Duração: 65 minutos
Classificação: 12 anos

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