Após estreia no CRD, espetáculo Pó segue sua temporada no Espaço Maquinaria

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Matéria e foto: Divulgação

Espetáculo “Pó”, do coletivo MUMBRA corpomóvel, continua a pesquisa iniciada em 2015 com “Intempéries: Ruminações sobre Pertencer” partindo da seguinte provocação: o que desse corpo nos pertence? o que resta dele? quantos restos restam em nós?

Com quantos restos se faz um corpo? Uma dança? Uma história? Acerca daquilo que é inadequado, que se perde e sobra, o coletivo MUMBRA corpomóvel apresenta seu novo espetáculo Pó. Depois de quatro apresentações no Centro de Referência da Dança, a peça segue temporada com quatro apresentações no Espaço Maquinaria a partir de quarta-feira, dia 28, às 20h. O espetáculo tem direção coletiva e conta com a parceria de artistas de várias áreas. Ingressos R$10 reais.

O MUMBRA corpomóvel é um coletivo jovem que se uniu afim de investigar praticamente os possíveis hibridismos entre dança e teatro, pensando cada vez mais o fazer cênico como um evento expressivo em si, que não se limita à fronteiras pré estabelecidas. A partir daí, e da vontade de desenvolver um processo criativo a respeito daquilo que nos pertence, o coletivo criou seu primeiro espetáculo Intempéries: Ruminações sobre Pertencer, que estreou em Agosto de 2015.

Pouco tempo depois, o grupo foi contemplado pelo Edital Proac Primeiras Obras de Dança com o objetivo de retrabalhar o espetáculo, aprofundar a pesquisa acerca do tema e verticalizar a investigação sobre a linguagem cênica. O projeto que, a princípio, tinha a proposta de remontar o espetáculo Intempéries terminou por criar de um trabalho radicalmente novo. Apostando no corpo como matéria potencial para a investigação, Pó reflete sobre o que nos pertence desta vez como algo que ficou e resiste em nossos corpos.

“Acreditamos que o questionamento a respeito do que nos pertence não se configura como mero enclave intelecto-existencial, ele se apresenta fisicamente em nossos corpos e por isso merece ser pensado e discutido corporalmente. Assim, instigadas pela criação e recepção do público nas apresentações de “Intempéries” decidimos para esta remontagem apostar ainda mais no corpo como matéria potencial para a investigação do tema, uma vez que se apresenta como um grande memorial acerca da experiência de pertencer”, conta o coletivo.

Se, no primeiro trabalho era o elemento da água que regia a movimentação, como corpos que, em fluxo e correnteza, são moldados e se moldam à sociedade, agora em Pó é a terra que surge como elemento primordial na condução desta dança. Inspiradas no mineral, na força de uma rocha, quatro mulheres emergem da pedra. São corpos que, móveis ou imóveis, permitem-se dançar sobre aquilo que lhes atravessa: memórias, passado e poeira.

A questão do pertencer aparece aqui como condição dada, questão que não pode ser escondida em um corpo, em uma vida que pulsa a todo tempo sua história cheia de perdas, marcas e cicatrizes. Ao dançar suas resistências elas dão a ver uma dança incabível e inadequada. Carne, pele e osso revelam realidades individuais e coletivas.

O espetáculo começa no escuro com corpos estátua que vão, aos poucos, sendo esculpidos até “sair da pedra” e virar indivíduos. Corpos fósseis renascem, como se séculos já tivessem passado. A dramaturgia é pautada por marcas que, expostas no corpo e no movimento, são transpostas no ato de pintar uma tela em cena. Momentos ápices da montagem criam uma nova obra visual a cada apresentação, com tinta, farinha e outros elementos.

Ora reforçando ora contrapondo a dança realizada em cena, a trilha sonora composta por Tiê Campos traz um som desértico e árido. Composta com instrumentos de percussão, baixo acústico e uma voz feminina, a trilha, em alguns momentos, segue a lógica de repetição de um mantra. Neste espetáculo a iluminação junto com o som configuram toda a cenografia. Desenhando espaços e contornos a luz, criada por Giuliana Cerchiari, instaura o imaginário da peça e possibilita ao espectador transitar entre tempos e espaços.

Sobre MUMBRA corpomóvel:

O MUMBRA corpomóvel é um coletivo de jovens intérpretes que nasceu entre 2014 e 2015 com o propósito de desenvolver trabalhos de pesquisa e criação em Artes Cênicas, tendo como mote central a investigação sobre os possíveis diálogos entre as linguagens da dança e teatro. Compreendendo que as fronteiras entre as artes da cena se tornam cada vez mais fluídas, o grupo busca pesquisar e descobrir praticamente como este hibridismo de linguagens acontece e quais as múltiplas possibilidades expressivas que ele gera.

Em 2015 o grupo iniciou o ano organizando em São Paulo a Ocupação Corpo em Destaque na SUB Galeria e, em Agosto, realizou a temporada de estreia do espetáculo Intempéries: Ruminações sobre Pertencer no Teatro Laboratório da USP. Logo após a estadia no Teatro Laboratório, no segundo semestre de 2015, o coletivo foi contemplado pelo programa de Residência Artística do Espaço Maquinaria na cidade de São Paulo, onde pode iniciar a remontagem do espetáculo “Intempéries: Ruminações sobre Pertencer” contemplada pelo edital PROAC Primeiras Obras de Dança 2015 do Governo do Estado de São Paulo – projeto este que segue em andamento durante todo o primeiro semestre de 2016. Pelo Proac o grupo realizou 12 apresentações do espetáculo “Intempéries: Ruminações sobre Pertencer” e 4 oficinas “O Corpo em Jogo” em centros culturais do Campo Limpo, Vila Nova Cachoeirinha e São Mateus, regiões periféricas da cidade de São Paulo. Ainda no primeiro semestre de 2016 o grupo realizou a performance “Cadê o Dono do Sorvete?” no SESC Interlagos(SP) e SESC Ramos (RJ) e apresentações do espetáculo “Intempéries: Ruminações sobre Pertencer no SESC Ipiranga (SP).

Ficha técnica:
Dramaturgia, direção e encenação: MUMBRA corpomóvel
Intérpretes: Aline Alves, Isis Marks, Letícia Vaz e Marcela Páez
Concepção e direção musical: Tiê Campos
Voz e canto: Maria Valentina
Percussão: Marcelo Caverna
Baixo acústico: Noa Stroeter
Iluminação: Giuliana Cerchiari
Figurino: Júlia Polý
Fotografia e vídeo: Michel Igielka
Arte gráfica: Estela Miazzi
Assessoria de imprensa: Renan Ferreira
Produção: Letícia Vaz

Serviço:
Pó (de 28 de setembro a 01 de outubro)
Duração: 80 minutos
Ingressos: R$ 10,00
Quando: quarta a sábado (20h)
Local: Espaço Maquinaria (Rua Treze de Maio, 240, Bexiga)

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