Desilusão das Dez Horas

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Matéria e foto: Divulgação

Inspirado no poema homônimo de Wallace Stevens, um dos mais importantes poetas americanos, e com uma referência obliqua ao episódio bíblico em que as filhas de Ló embriagam o próprio pai para deitarem-se com ele, o espetáculo Desilusão das Dez Horas estreia no dia 14 de outubro no Viga Espaço Cênico.

Contado pelo Filho, alternando-se entre a idade adulta e a infância, a peça, escrita por Alberto Guiraldelli e dirigida por André Garolli, é um retrato poético atemporal de uma família que vive à sombra da ausência do pai e dos maridos, marinheiros que passam semanas ou até meses em alto mar.

Quando o Seu Moushier, velho marinheiro a quem ninguém mais deixa entrar em um navio, traz inesperadas cartas às mulheres e um presente oculto para o menino, a fina casca da rotina se quebra, revelando os fantasmas do desejo e das palavras ocultas que habitam aquela casa.

Entre a amarga insatisfação da Filha e o aparente conformismo da Mãe vão se revelando uma rotina de desejos não saciados e a hipocrisia das pequenas comunidades onde todos se conhecem e todos se escondem.

O espetáculo foi construído através da sutileza e da nuance, mais do que do confronto aberto. Um jogo de sedução e encantamento através do conflito entre desejo e a realidade que se impõe, sem os ruídos da nossa vida cotidiana, mas enredada na ancestralidade de nossas histórias.

A direção de Garolli busca no elenco formado pelos atores Helio Cicero, Mônica Granndo, Alberto Guiraldelli e Marcela Grandolpho, uma encenação que, ao mesmo tempo que desdobra a história das personagens, estimula os sentidos da plateia através dos sons, dos aromas, das sombras e luzes que se inter-relacionam no palco. Um cuidadoso trabalho de construção é pensado para que a cenografia, a trilha sonora/sonoplastia e a iluminação reverberem os signos do desejo à deriva que a dramaturgia pontua.

Sinopse:

Contado pelo filho, Desilusão das Dez Horas é um retrato poético atemporal de uma família que vive à sombra da ausência do pai e dos maridos, marinheiros que passam semanas e até meses em alto mar. Entre a amarga insatisfação da filha e o aparente conformismo da mãe vão se revelando uma rotina de desejos não saciados e a hipocrisia das pequenas comunidades onde todos se conhecem e todos se escondem.

Ficha técnica:
Direção: André Garolli
Dramaturgia: Alberto Guiraldelli
Elenco: Helio Cicero, Mônica Granndo, Marcela Grandolpho, e Alberto Guiraldelli
Cenografia: Fábio Jerônimo
Figurinos: Alexandra Deitos
Trilha sonora: Reinaldo Guiraldelli
Iluminação: Rodrigo Alves
Design gráfico: Denise Voss
Op. de som: Ricardo Bretones
Op. de luz: Marcelo Rocha
Assessoria de imprensa: Fábio Câmara
Fotos: Fernanda Procópio
Produção: Cia Ator Careca

Serviço:
• Desilusão das Dez Horas (14 de outubro até 17 de dezembro)
Duração: 
70 minutos
Ingressos: R$ 40,00
Quando: Quartas e quintas (21h)
Local: Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 1.323, Sumaré)
Classificação indicativa: 14 anos
*Dias 26/11 e 03/12 não haverá apresentação

Equipe:

André Garolli

Na televisão, destaca-se junto ao núcleo de dramaturgia da TV Globo, atuando nas novelas Amor a Vida, Fina Estampa, Guerra dos Sexos, e nas miniséries: Lara com Z, Cinquentinha e Na Forma da Lei, com direção de Wolf Maya. No teatro atua no Grupo TAPA há mais de 20 anos, tendo como principais espetáculos, dirigidos por Eduardo Tolentino: Credores, Doze Homens, Vestir os Nus, Cloaca, A Mandrágora, Ivanov, A Serpente, Vestido de Noiva, Megera Domada, além de trabalhar com nomes como Hector Babenco, Rui Guerra, Bibi Ferreira, Fauzi Arap, Juca de Oliveira, Roberto Lage, Isser Koric,  Fúlvio Stefanini, entre outros. Diretor artístico da Cia Triptal há 22 anos, dentre seus principais trabalhos estão: Dois Perdidos numa Noite Suja, de Plínio Marcos; e o projeto Homens ao Mar, baseado em textos de Eugene O’ Neill; premiado no APCA e prêmio Shell, tendo participado do Festival Internacional de Chicago e o projeto infantil Maria Clara Clareou, agraciado com os prêmios Coca Cola APETESP e Mambembe.

Alberto Guiraldelli

Dramaturgo, Tradutor e Ator, também formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e associado à SBAT. É também produtor e fundador da Companhia do Ator Careca, com mais de 10 anos de atividade em São Paulo. Entre as peças de sua autoria estão os espetáculos montados e apresentados no circuito teatral de São Paulo: “O Beijo”, em 2005; “Fracasso”, em 2006/2007/2014; “Essa Moça (ligando para Tom Waits, ainda acordado, em Istambul)”, 2010/2012; e “Uma Questão de Tempo”, em 2012. Entre suas traduções estão os espetáculos montados e apresentados no circuito teatral de São Paulo: “Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos”, de Tom Stoppard, em 2003/2004; “Algumas Vozes”, de Joe Penhall, selecionada para o 12º Cultura Inglesa Festival, com temporadas em 2008/2009; “Parlour Song”, de Jez Butterworth, em 2012; e “Senti um Vazio no começo quando o coração foi embora mas agora está tudo bem”, de Lucy Kirkwood, em 2013. Em 2014 a Giostri Editora lançou uma edição com duas de suas peças:  Fracasso e Uma Questão de Tempo.

Helio Cicero

Ator e diretor, formado bacharel pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Também atuou como professor de interpretação da Pontifícia Universidade Católica (PUC – TUCA/SP), do Teatro do Centro da Terra e do Indac, além de ser um dos fundadores da Cia. Teatral Arnesto Nos Convidou, juntamente com Maucir Campanholi e Samir Yazbek. Entre seus trabalhos premiados estão MAMBEMBE de Melhor Ator por Paraíso Zona Norte, de Nelson Rodrigues, direção de Antunes Filho, em 1989; e o APETESP de Melhor Ator por Velhos Marinheiros, de Jorge Amado, direção de Ulysses Cruz. Entre seus trabalhos como ator estão: A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa, direção de Antunes Filho, 1986; Corpo de Baile, de Guimarães Rosa, direção de Ulysses Cruz, 1988; Nova Velha História, baseada no conto “Chapeuzinho Vermelho”, direção de Antunes Filho, 1991; Trono de Sangue, de William Shakespeare, direção de Antunes Filho, 1992;  O Fingidor, texto e direção Samir Yazbek, 1999; Executivos, de Daniel Besse, direção de Eduardo Tolentino de Araújo, 2002. Entre seus mais recentes trabalhos estão As Folhas do Cedro, texto e direção de Samir Yazbek, 2010; A Dama do Mar, de Henrik Ibsen, direção de Bob Wilson, 2014; e Jantar, de Moira Buffini, direção de Mauro Baptista Vedia, 2014.

Mônica Granndo

Diretora e atriz formada pela Universidade de Campinas/UNICAMP. Mestre em Comunicação e semiótica pela PUC–São Paulo. Em 2002, fundou A Companhia do Ator Careca e dirigiu, entre outros, os espetáculos: “Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos”, de Tom Stoppard (2003/2004); “O Beijo” (2005) e “Fracasso” (2006/2007/2014), ambas de Alberto Guiraldelli; “Algumas Vozes”, de Joe Penhall (2008/2009); “Uma Questão de Tempo”, dramaturgia de Alberto Guiraldelli (2012); e “Senti Um Vazio no começo quando o coração foi embora mas agora está tudo bem.”, de Lucy Kirkwood (2013). Atuou nos espetáculos “Essa Moça (Ligando para Tom Waits, ainda acordado, em Istambul)”, de Alberto Guiraldelli (2010/2012); e “Parlour Song –Tudo Está Desaparecendo”, de Jez Butterworth, (2012) ambos com direção de Einat Falbel. Seu livro, “O gesto Vocal – A Comunicação e a Gestualidade Vocal no Teatro Contemporâneo” será lançado pela Editora Perspectiva no segundo semestre de 2015.

Marcela Grandolpho

Atriz e Preparadora Vocal. Mestrado em Voz pela Central School of Speech and Drama, University of London – 2011; pós-graduação pelo Instituto de Artes da UNESP – 2009. É, também, jornalista e historiadora formada pela USP. Em Londres exerceu a função de preparadora vocal nos espetáculos:  “OTHELO” – Swivel Theatre Company, 2011, dir. Dyian Zora; e “ALICE” – Minack Theatre, 2011, dir. Gareth White. Realizou diversos cursos de aperfeiçoamento em teatro físico e voz tanto na Europa quanto nos Estados Unidos; entre eles, estudou com Eugênio Barba e Odin Teatret na Dinamarca e no Workcenter Jerzy Grotowsky em Pontedera. Atuou nos espetáculos da Companhia do Ator Careca: “Fracasso”; “Algumas Vozes”; “Parlour Song – Tudo está Desaparecendo”; e “Senti Um Vazio no começo quando o coração foi embora mas agora está tudo bem”. Atuou ainda em O Cadáver, adaptação do texto Cadáver Vivo, de Lev Tolstói, dir. de Felipe Rocha, 2015; Outra Sina De Existir – Cia Gyrokaus, 2009, dir. Eduardo de Paula; e Tudo No Timing, de David Yves, 2007, dir. Paulo Caruso. Seu livro, “A Incorporação Vocal do Texto: Técnicas Psicofísicas para Transformar Texto em Ação” será lançado pela Editora Perspectiva no segundo semestre de 2015.

Cia do Ator Careca:

Fundada pela diretora e atriz Mônica Granndo e o dramaturgo, tradutor e ator Alberto Guiraldelli em 2003. Com 12 anos de trabalho contínuo na cena teatral paulista a companhia realizou os seguintes espetáculos:

2003/2004 – Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos, de Tom Stoppard; Direção de Mônica Granndo; Tradução de Alberto Guiraldelli.

2005 – O Beijo, De Alberto Guiraldelli; Direção de Mônica Granndo.

2006/2007/20014 – Fracasso, de Alberto Guiraldelli; Direção de Mônica Granndo.

2008/2009 – Algumas Vozes, de Joe Penhall; Direção de Mônica Granndo; Tradução de Alberto Guiraldelli.

2010/2012 – Essa Moça (Ligando para Tom Waits, ainda acordado, em Istambul), de Alberto Guiraldelli; Direção de Einat Falbel.

2012/2013/2014 – Uma Questão de Tempo, de Alberto Guiraldelli; Direção de Mônica Granndo.

2012 – Parlour Song (Tudo está desaparecendo), de Jez Butterworth; Direção Einat Falbel; Tradução de Alberto Guiraldelli.

2013 – Senti um vazio no começo quando o coração foi embora mas agora está tudo bem, de Lucy Kirkwood; Direção de Mônica Granndo; Tradução de Alberto Guiraldelli.

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