Durante 24 horas, A Casa Tombada terá ocupação artística de dança do Núcleo MIRADA

Crédito: Roni Diniz
Crédito: Roni Diniz

Público poderá circular livremente pelas intervenções de dança, projeções de imagens e leitura de textos, espalhados pelos espaços da casa. A atividade estará aberta à visitação do público por 24 horas. Esta proposta do Núcleo MIRADA é parte do projeto Rede CALA, contemplado pela 18ª edição do Fomento à Dança.

Matéria: Divulgação

Ao chegar em  A Casa Tombada, centro cultural localizado na zona Oeste de São Paulo, em qualquer horário entre às 18h do sábado, 6 de agosto, e às 18h do domingo, 7 de agosto, o público irá assistir – espalhadas pelos cômodos – curtas performances de dança e vídeo, além de objetos cênicos e máquinas de escrever à disposição das pessoas. As atividades  artísticas acontecem paralelamente  a ações cotidianas, como comer,  descansar e até tomar banho. Essa é a proposta da ocupação  24h Obra Procedimento, projeto do Núcleo MIRADA que oferece ao público a oportunidade de vivenciar experiências de arte num ambiente que remete a uma casa tradicional.

As diversas performances, denominadas pelo núcleo como Procedimentos Obra, resultaram de encontros  das bailarinas e pesquisadoras do Núcleo MIRADA (formado pelas bailarinas Karime Nivoloni, Liana Zakia e Christiana Sarasidou) com artistas de outras linguagens (vídeo, literatura, música etc), em sete espaços públicos da cidade durante este ano.

Essas intervenções urbanas aconteceram na Praça da Sé, Viaduto Santa Ifigênia, Praça Roosevelt, Largo da Batata, Vão do MASP, Praça das Artes e Praça Júlio Prestes, sempre em parceria com músicos, poetas e artistas em geral, entre eles o desenhista Alcimar Frazão, os Djs Bruno Navarro e Danilo Pêra e o dramaturgo André do Amaral.

Na ocupação de 24 horas, A Casa Tombada irá abrigar trechos das experiências que aconteceram nos espaços citados acima. Haverá improviso de dança a partir da escuta da trilha composta por Djs; máquina de escrever disponível para o público redigir cartas, danças criadas em cima da leitura de textos produzidos pelos artistas convidados e projeções de desenhos “vestidos” pelas bailarinas, entre outros. Este Roteiro de Procedimentos será divulgado em 30 de julho no blog do Núcleo: www.nucleomirada.blgspot.com.br.

“Essas experiências de criação em diálogo com outros artistas é uma prática que vem sendo trabalhada como estratégia criativa de pesquisa em dança e estará presente nesta ocupação”, explica o Núcleo, que oferece ao público um roteiro de procedimentos detalhando o que será feito no espaço de A Casa Tombada no site www.nucleomirada.blogspot.com.br a partir do dia 30 de julho.

As bailarinas adiantam que na ocupação 24h Obra Procedimento o público irá se deparar com trechos de coreografias do espetáculo CALA, de seu repertório, vídeos,  objetos cênicos distribuídos pela casa, bebidas preparadas para os visitantes e atividades que estimulam diálogos da dança com outras artes.  “Nessas conexões há textos, movimentos, gestualidades, interação com móveis que são objetos cênicos do CALA, além de vídeos e fotos do processo escondidos pela casa”, complementam as bailarinas.

Ao longo de 24 horas, o espaço é aberto ao público, que poderá circular livremente, sendo a entrada gratuita. “O Núcleo investe em uma maneira não usual de abrir seu processo ao compreender o fazer artístico e as formas de compartilhar experiências criativas como possibilidades de encontro entre artistas e espectadores, o que pode proporcionar tipos de presença e de percepções não habituais”, contam as artistas.

Origem da ocupação

O projeto Rede CALA, desenvolvido atualmente, surge como um desdobramento do espetáculo CALA, criado em 2014 com o apoio do ProAC Criação 2013. Neste trabalho, uma série de performances apostou no uso de objetos analógicos por parte do público, como máquinas fotográficas, gravadores, máquinas de escrever, blocos de notas e vitrolas.

Esta experiência amadureceu o conceito de Procedimentos Obra, no qual algumas matrizes do espetáculo foram levadas para espaços públicos onde aconteceram performances/intervenções urbanas com artistas especializados nos objetos analógicos usados anteriormente.

A ideia é que o experimento não prejudique as necessidades fisiológicas que irão acometer as artistas e o público nas 24 horas da ação. Dormir, comer, tomar banho, descansar e cozinhar são algumas das ações rotineiras que irão acontecer integradas ao projeto. “Não será problema se o público chegar num momento em que uma de nós estiver dormindo, por exemplo”. Essas tarefas, contudo, suprirão apenas as necessidades do Núcleo.

A estrutura arquitetônica da casa, um sobrado com jardim externo, auxilia nos processos criativos, e é determinante nas escolhas dos procedimentos artísticos, distribuídos nos diversos cômodos.

Segundo o Núcleo, o Roteiro de Procedimentos pré-determinado estará aberto às necessidades dos momentos, que também vão conduzir as ações.  A entrada é gratuita e a permanência é livre.

Sobre o Núcleo MIRADA

O Núcleo MIRADA surge em 2010 quando foi selecionado pela Casa das Caldeiras para integrar seu programa de residência artística Obras em Construção Ongoing Artwork Projects. Durante o período de residência artística (junho de 2010 a novembro de 2011) as integrantes – envolvidas no universo artístico e educacional em projetos diversos da cidade de São Paulo – passaram a desenvolver laboratórios de pesquisa artística ligados à dança e à cena que resultaram no espetáculo CALA. Neste processo as propostas investigativas passaram a ser compartilhadas pelas mesmas. Os procedimentos criativos, desde então, tem sido discutidos, negociados e acordados em diálogos nos quais procuramos expor as necessidades artísticas particulares e encontrar links e estratégias para a criação coletiva.

Em 2011, o Núcleo foi contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – com o projeto Epifanias Urbanas em parceria com a Cia das Atrizes. O mesmo projeto integrou o programa Ongoing Artwok Projects – Obras em Construção do Espaço Cultural Casa das Caldeiras..

Em 2012, com o projeto Silêncios Humanos, o Núcleo foi mais uma vez selecionado para o programa de residência artística do Espaço Cultural Casa das Caldeiras, iniciando a trajetória que se desdobrou no projeto Plataforma Cala. Tal projeto foi contemplado pelo PROAC 08/2013 – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo – para a realização do espetáculo CALA.

CALA estreou dia 29 de agosto de 2014 em Campinas, no MIS – Museu da Imagem e do Som. O trabalho, criado especialmente para espaços não convencionais, esteve em cartaz em locais como: Casa do Povo, Oficina Cultural Oswald de Andrade – São Paulo SP – Oficina Cultural Altino Bondessan – São José dos Campos SP – Oficina Cultural Carlos Gomes – Limeira SP, dentre outros.

Em 2015, o Núcleo foi contemplado pelo 18º Edital de Fomento à Dança, da cidade de São Paulo com o Projeto Rede CALA. Teve em sua primeira etapa, a circulação de CALA por dez equipamentos da cidade de São Paulo, além de workshops baseados no processo criativo do espetáculo. Promoveu quatro oficinas com professores convidados, que abordaram diferentes modos de trabalho em dança. Realizou sete Procedimentos Obra em espaços públicos da cidade, além da Rede de Transdução, nA Casa Tombada, em parceria com dez artistas de distintas linguagens.

Sobre Karime Nivoloni

É graduada em Dança pela UNICAMP (2002), especialista em Estudos Contemporâneos em Dança pela UFBA (2003) e mestre em Dança pelo PPG-Dança UFBA (2008). Ministrou aulas no curso de graduação em Dança de UFBA (2003-2004), no curso de profissionalização em dança da FUNCEB (Fundação Cultural do Estado da Bahia) (2003), na ELD (Escola Livre de Dança) de Santo André (SP) (2009) e atuou como arte-educadora pelo PIA (Programa de Iniciação Artística) pela prefeitura de São Paulo (2009-2012). Integrou a Companhia de Dança TranChan (BA/2003-2006), a Quasar Cia. de Dança (GO/2007), o Núcleo Artérias (SP/2009-2010) e o Núcleo Mercearia de Idéias (SP/2009-2013). Desde 2012 atua como arte-educadora pela EMIA (Escola Municipal de Educação Artística – São Paulo).

É integrante e co-fundadora do grupo [-MOS], que recebeu o Prêmio de Incentivo à Produção Artística do SPA das Artes 2011 e foi selecionado para participar de eventos como a Maratona Cultural de Florianópolis/SC (novembro de 2011), Circuito Vozes do Corpo de São Paulo (junho de 2013), Dança no MIS (São Paulo-SP/maio de 2014), no Festival ABC Dança (agosto de 2014), Performapa (Sesc Ipiranga/São Paulo-SP/fevereiro de 2015), Mostra Verbo 2015 (São Paulo-SP), dentre outros. Ainda com o [-MOS] em parceria com o GEM (Grupo Experimental de Música), foi contemplado pelo Proac Artes Integradas 2014, realizado em 14 cidades do Estado de São Paulo. Também é integrante e co-fundadora do Núcleo Mirada.

Sobre Liana Zakia

Graduada em dança, em Bacharelado e Licenciatura pela Unicamp (2003) foi intérprete criadora do Grupo em Pó, Arranhacéus Cia de Dança, Arteiros, Uoco Grupo de Dança, em Campinas, SP. Foi intérprete criadora do Ateliê de Coreógrafos Ano V – Salvador, BA, do espetáculo “Coreológicas V” do Caleidos Cia de Dança e, Núcleo Mercearia de Idéias, nos trabalhos “As Filhas de Bernarda” 2009, “Microbiagrafias Visíveis” 2011, e “Nossos Sapatos” 2012, SP. Cocriadora do projeto “Particularidades Móveis” Novos Coreógrafos – Novas Criações Site Specific 2010 do CCSP. Artista convidada para a construção e estudo da obra “Silêncios Humanos” no Programa de Residências “Ongoing ArtWork Projects: Obras em Construção” no Espaço Cultural Casa das Caldeiras, 2012. Bailarina convidada do Projeto Residência- IPL (International Performance Lab) dirigido por Khosro Adibi no SESC Palladium, Belo Horizonte, MG, 2013.

Foi artista orientadora do Programa Vocacional, da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo, em 2010, 2011 e 2012, onde se formou o Coletivo Provisório, que realizou o Projeto Facebunda, contemplado pelo Programa VAI/2013. Foi professora de Dança Contemporânea do Ciclo 1 – Núcleo Luz (Poiesis) e atualmente desenvolve sua pesquisa de Mestrado em Artes da Cena, na Pós-Graduação do Instituto de Artes da Unicamp.

Sobre Christiana Sarasidou

Graduada na Escola National de Dança em Atenas, Grécia. Estudou balé clássico, dança contemporânea (Graham, Limón,Cunningham, Técnica Release) e jazz. Participou em vários workshops na Grécia, Portugal, Holanda, Espanha e Inglaterra com diferentes professores e bailarinos, como David Zambrano, Ted Stoffer, Risa Steinberg, Martin Lawrence, Wim Vandekeybus e outros.

A partir de 2003 trabalhou como professora de dança contemporânea em várias escolas da Grécia e deu oficinas em Grécia, Portugal e Brasil. Atualmente dá aulas no Projeto Núcleo Luz das Oficinas da Cultura da Prefeitura de São Paulo.

Foi bailarina residente da companhia “Parousies” (1997-2003), da “Smack” dance company (2007-2009) e da companhia “Odontoglyfida dance copanoi” (2010-2012). Ela também colaborou com as companhias “Pendulum” (2010-2011) e “Torus Knot”(2010), com o coreógrafo brasileiro Claudinei Garcia (2013, Portugal) e com a Companhia de dança de Aveiro (2013, Portugal).

Coreografou o trio “Memories” (Grécia), o duetto “A glimpse of truth” (Grécia e Portugal) e o espetáculo “Move me” (Grécia). Recentemente participou na adaptação do espetáculo “O lago dos cisnes” (Brasil) como assistente coreógrafo da companhia Cia K do Kiko Caldas.

Em 2007 ela começou a praticar tango argentino. Desde Dezembro de 2011 até Setembro de 2012 ela colaborou com o dançarino Panagiotis Karaboulas, com quem deu aulas e atuou em vários espetáculos e festivais em Atenas e outros lugares da Grécia.

Ficha técnica:
Concepção, desenvolvimento e realização: Núcleo MIRADA (Christiana Sarasidou,  Karime Nivoloni e Liana Zakia)
Figurino: Emília Reily
Técnico de montagem: Rodrigo Galdino
Produção: Cais Produção Cultural
Direção de produção: José Renato Fonseca de Almeida
Assistente de produção: Isís Marks
Artista audiovisual: Danilo Pêra
Assistente audiovisual: Roni Diniz.

Serviço:
24h Obra Procedimento
Quando: de 06 a 07 de agosto (das 18h às 18h – 24h de duração)
Local: A Casa Tombada (Rua Ministro Godói, 109, Perdizes – perto da estação Barra Funda do Metrô, ao lado da entrada lateral do parque da Água Branca)
Classificação: Livre
Capacidade: Indeterminada

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