Em nova temporada, a Companhia Antropofágica apresenta dois espetáculos inspirados em Luis Buñuel

Crédito: Alan Siqueira

Seguindo com as comemorações de quinze anos, a Companhia Antropofágica de Teatro apresenta dois espetáculos inspirados em Luis Buñuel Portolés, famoso realizador do cinema espanhol que trabalhou com Salvador Dalí e é uma das grandes influências de Pedro Almodóvar. Após uma temporada de sucesso no Centro Cultural São Paulo, a companhia volta a se apresentar em sua sede, o Espaço Pyndorama e convida o público para uma viagem surrealista!

Matéria: Divulgação

COMPANHIA ANTROPOFÁGICA APRESENTA PROGRAMA BUÑUEL

Com inspiração em Luis Buñuel Portolés, a Companhia Antropofágica de Teatro criou dois espetáculos que agora voltam a ser apresentados como parte da comemoração de 15 anos do grupo. A ação faz parte do projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA, contemplado na 28ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, edital atualmente ameaçado por conta do congelamento das verbas de cultura por parte da Prefeitura da Cidade de São Paulo. Após uma temporada de muito sucesso no Centro Cultural São Paulo, com ingressos esgotados em boa parte das sessões, a Companhia agora volta a sua sede, o Espaço Pyndorama, para apresentar o Programa Buñuel, que consiste em duas temporadas que se encontram, dos espetáculos: Vyridiana dos Desafortunados e Náufragos da Rua Constança.

O público poderá conferir os espetáculos inspirados em Buñuel, que foi um dos maiores fazedores de cinema da Espanha e um dos grandes responsáveis por fazer com o que o surrealismo ganhasse o mundo do cinema.  Buñuel, que realizou vários trabalhos em parceria com Salvador Dalí, é também um dos grandes influenciadores da obra de Pedro Almodóvar.

Vyridiana dos Desafortunados é um espetáculo inspirado no filme Viridiana, de Buñuel, e é a montagem mais recente do repertório da Antropofágica. Com esta montagem o grupo segue com uma pesquisa que foi alimentada de maneira prática e teórica por dois eixos temáticos: o universo dos vagabundos e o gênero terror. Como tema para os improvisos, o grupo parte da construção da memória de uma casa burguesa e seus moradores falidos que são surpreendidos por malandros, pícaros, vagabundos. Desta forma, o grupo reencontra a obra de Buñuel dez anos depois, já que o primeiro contato aconteceu em 2006, com a criação do espetáculo Náufragos da Rua Constança, que será o segundo espetáculo apresentado nesta temporada.

Náufragos da Rua Constança trata-se da quarta montagem da Antropofágica. O grupo enveredou-se na pesquisa do surrealismo a partir de filmes de vanguarda do começo do século XX. A partir disto, surgiu o desejo em aprofundar as pesquisas, tendo como mote o filme O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel. Os treinamentos partiam de propostas surrealistas, do universo onírico, do ator autômato e de referências ao trabalho de Tadeusz Kantor. Os atores improvisavam as ações e relacionamentos a partir do roteiro do filme que traz o aprisionamento burguês e sua degradação, assim como nas casas dos reality shows.

O projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA iniciou em 2016 com uma temporada de  sua Trilogia sobre o Brasil, onde a Antropofágica apresentou três espetáculos diferentes por fim de semana, chegando a atingir a lotação máxima do Espaço Pyndorama. Na sequência, com o Programa I: Brazyleirinhas QI, apresentou quatro peças de curta duração por final de semana, todas de autoria exclusivamente brasileira. E encerrou o ano com apresentações do espetáculo “A Tragédia de João e Maria”, na sede da Companhia do Feijão. Já em 2017, abriu novamente as portas de sua sede para apresentar Prometeu Estudo 1.1, terceira montagem da Antropofágica. Com enorme sucesso de público, a temporada teve quase todas suas sessões com lotação máxima do espaço, o que se repetiu com a mais recente temporada, realizada no Centro Cultural São Paulo, onde o grupo apresentou DESTERRADOS – UR EX DES MACHINE.

Além das temporadas de espetáculos, o projeto vem promovendo os famosos Diálogos Antropofágicos, debates especiais com personalidades da cena artística abordando temas importantes do fazer teatral. Já estiveram presentes nomes como Marcelo Soler (Cia Teatro Documentário), Luciano Carvalho (Grupo Dolores Boca Aberta Mecatronica de Artes), Manoel Ochôa, o crítico teatral José Cetra, Ney Piacentini (Companhia do Latão), Chico de Assis, Maria Silvia Betti, Zernesto Pessoa (Companhia do Feijão), Rogério Guarapiran e a dramaturga Ana Souto.

Dona de um extenso processo de criação, estudo, experimentação e um significativo currículo com prêmios e indicações, a Companhia Antropofágica, criada em 2002, é hoje uma grande referência da cena teatral de São Paulo e convida o público para uma viagem no tempo e na história através do projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA, que como o próprio nome diz, propõe uma grande trama para formar uma rede unindo cada experimento realizado desde seu surgimento. O projeto é um marco para o grupo que apresenta desde espetáculos premiados até aquilo que acreditam que “não deu certo”, como forma de revisitar e investigar de fato, tudo o que foi construído com este trabalho que se destaca através de uma clara opção por pesquisar procedimentos, gêneros, autores e textos ligados ao seu ideal. Composta por mais de trinta integrantes, a Companhia Antropofágica propõe com este projeto, a realização de espetáculos, intervenções, oficinas e experimentos, atuando tanto em sua sede, quanto em outros espaços de São Paulo. Serão dezoito temporadas e mais dezenove atividades, realizadas de Setembro de 2016 a Agosto de 2017, culminando com a estreia de um novo espetáculo.

Se programe para participar desta grande comemoração e para conhecer o repertório e a maneira Antropofágica de fazer teatro. A temporada do Programa Buñuel começa no dia 31 de março e vai até o dia 16 de abril.

Programa Buñuel

Vyridiana dos Desafortunados

A peça é uma transcriação do filme Viridiana de Buñuel. Uma espécie de trama engaiolada a um espaço múltiplo, composto por índices de uma casa e do vácuo-político administrado nas vias públicas. Móveis que andam conjugam a imobilidade prosaica de seu cotidiano, acrescidos à fantasia presente nos filmes de terror. O deslizar dos móveis indica uma tensão, que disputa o lugar de repouso dos espaços caracterizados pelo conservadorismo. Este espaço imóvel das relações patriarcais se confronta com a presença/ocupação de mendigos e vagabundos, trazidos para dentro da casa paterna pela filha Vyridiana: uma espécie de noviça que tenta arbitrar a distribuição das dádivas de sua cornucópia. Ao violar a fronteira entre nobiliarquia e marginalidade, precisa mediar e conciliar elementos socialmente conflituosos. Um quiprocó entre caridade e justiça social. O surrealismo presente abre um espaço de liberdade entre as determinações de classe e as possibilidades de escolha subjetiva, inserindo-se em uma plataforma onírica no jogo de xadrez das posições frente às tensões sociais.

Temporada: de 31 de março à 09 de abril
Gênero: Drama surrealista
Quando: quarta à sábado (21h) e domingo (19h)
Duração:
70 minutos
Classificação: 16 anos

Os Náufragos da Rua Constança – Homo Capitas no Sapiens

Um banquete numa mansão é servido aos convidados que, encantados, não percebem a prisão estabelecida: homo capitas no sapiens. Misteriosamente a partir dessa noite ninguém entra ou sai. Ficam confinados sem encontrar o motivo que os impeça de partir. Inspirada no filme O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel, a peça apresenta um reality show surreal-antropofágico, deflagrando uma série de acontecimentos reveladores e derrubando as máscaras da ética e moral burguesa.

Temporada: de 08 à 16 de abril
Gênero: Comédia surrealista
Quando: terça à sábado (21h) e domingo (19h)
Duração: 90 minutos
Classificação: 18 anos
Local: Espaço Pyndorama (Rua Turiassu, 481, Perdizes)
Ingressos: Gratuito
Capacidade: 60 lugares

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