Espetáculo sobre questão indígena  “Gavião de Duas Cabeças” faz apresentação especial na Virada Cultural 2017

Peça que é apresentada na SP Escola de Teatro tem preço especial para os dois dias da Virada Cultural

O espetáculo “Gavião de duas cabeças”, solo idealizado e atuado por Andreia Duarte com direção de Juliana Pautilla, faz apresentação com preço popular nesse sábado e domingo (dia da Virada Cultural) no valor de R$ 15.00. A peça está em cartaz na SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt).

A peça traz elementos de uma teatralidade contemporânea, unindo performance e teatro, inspirada em um mito que conta a história do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena e sobrevive mesmo depois da morte do corpo. O mito – que é usado como metáfora de um pensamento hegemônico – norteia a montagem do espetáculo em que a atriz empresta seu corpo como um documento oral-visual de resistência poética. Em cena, figuras opostas aparecem: uma representante do agronegócio, uma mulher indígena e a atriz questionando a sua própria experiência.

O público é chamado a ver e ouvir um genocídio validado por discursos dominantes e por leis que infringem os direitos. A dramaturgia traz um olhar sobre o índio, em seu lugar de singularidade no cenário político atual. Os discursos trabalhados são reais, atuais e sociais que permeiam esse universo no Brasil. De um lado o discurso ruralista e da mercadoria, contra a demarcação das terras para os índios, em favor da PEC 215 (PEC que retira o poder da FUNAI de realizar as demarcaçõ​es, passando este poder​ ​para o legislativo), de outro lado o indígena defendendo a ​sua sobrevivência, ​logo a natureza e as suas origens. E ainda o discurso da atriz que viveu ambos os contextos, o urbano e o indígena, se inserindo na complexidade dessa alteridade.

A partir da voz da atriz, que teve uma experiência real e profunda na aldeia, com os índios Kamayura do alto Xingu, há uma percepção do público de como ser possível nos colocarmos no lugar do outro. A dramaturgia opta por um olhar atual sobre o índio, em seu lugar humano, político, escapando da imagem do pitoresco e do exótico.

Sinopse

O mito do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena, que sobrevive mesmo depois da morte do corpo, norteia a montagem do espetáculo Gavião de Duas Cabeças. A partir dessa imagem de morte e genocídio, a peça costura discursos atuais a partir da experiência pessoal da atriz. Os discursos encenados são reais e permeiam a atual realidade política e social brasileira: de um lado o discurso ruralista, de outro o indígena e ainda o da atriz que viveu em ambos os contextos, o urbano e o indígena.

Elenco

ANDREIA DUARTE é atriz, pesquisadora, professora e produtora em artes cênicas. Morou cinco anos no Parque Indígena do Xingu e ​ está vinculada em trabalhos e militâncias à 17 anos com a questão indígena. Aprofundou essa experiência nos processos de formação e criação no campo da atuação teatral. Realizou produções em cena, mestrado em Teatro na Escola de Belas Artes da UFMG e procedimentos de criação e ensino. O corpo e a experimentação em linguagens diversas sempre estiveram presentes na sua formação e experiências teatrais. Atuou, realizou workshops e demonstração de trabalho em diversos Festivais: Belo Horizonte, Ouro Preto, Diamantina, São João Del Rey, Ouro Branco etc (Minas Gerais), Le Manifest (França) , Miteu (Espanha), Orbictus Pictus (França), Breves Cenas – (Amazonas), Ribeirão Preto, São Paulo (São Paulo) etc. Realizou formações de teatros em projetos de extensão universitária, em formações de professores, escolas, estágio docência na UFMG e com grupos teatrais . Como atriz participou em “Você Tem Fome de Que?” (dir. Lenine Martins – Galpão Cine Horto), “As Carnes Mais Baratas do Mercado” (I Festival de Performance de Belo Horizonte), performance no espetáculo “OFF ON – 4 peças curtas de Samuel Beckett” (dir. Adriano e Fernando Guimarães), “Mais Alto que a Lua” e “Ode Marítima” (Teatro da Figura); “A Filosofia na Alcova”, “Bira e Bedé” e “O Quadro de Todos Juntos” (Pigmalião Escultura que Mexe), a performance “É preciso nos Tornarmos Vermelhos” no evento “Insurreição” (Biblioteca Mário de Andrade). ​Neste ano, Coordenou os Eixos Reflexivo e Pedagógico da MITsp 2017 (direção ​artística ​Antônio Araújo) e irá atuar com o “Gavião de duas cabeças” no ATL – Assentamento Terra Livre​ 2017 ​ (​maior movimento indígena​ do Brasil), na SP Escola de Teatro (7/05 à 5/06) e na Oficina Cultural Oswald de Andrade (12 à 21/06).

Direção

JULIANA PAUTILLA é artista cênica, educadora teatral e pesquisadora. Mestre em Artes (UFMG/2013) com pesquisa em Teatro Físico e interculturalidade, junto ao grupo checo Farm in the Cave. Especialista em Sistema Laban-Bartenieff (Faculdade Angel Vianna/2015), graduada em música (UEMG/2010), com pesquisa sobre gesto e som no Cavalo Marinho Pernambucano. Tem estudo e prática com ênfase em educação nas artes do corpo e teatro, processos de criação do ator-bailarino em teatro físico, corporalidademusicalidade, poéticas do corpo nas trocas culturais. Tem constante atuação como diretora, preparadora corporal, musicista e atriz, colaborando com artistas da área da dança, do teatro e da música. Indicada duas vezes como melhor diretora em Belo Horizonte (prêmio 10º Usiminas-Sinparc e 1º Copasa-Sinparc) pelos espetáculos “Ode Marítima” (2012) e “Se essa rua fosse minha” (2014). Em 2015, trabalhou como assistente de direção de Rodolfo Vaz e preparadora corporal no espetáculo “Janeiros” (grupo Carroça de Mamulengos), como atriz convidada do espetáculo “Os Ancestrais” do grupo Teatro Invertido (Direção Grace Passô) e como dramaturga e diretora de atores do espetáculo “Nós Sobre Nós” (Valores de Minas 2015). Dirigiu ainda “Zanzar” (Valores de Minas 2014), “Mais Alto que a Lua” (Pé na Rua do Galpão Cine Horto, 2011), “Sua Cabeça é a Lei de Mac” (2010). Já se apresentou em festivais nacionais e internacionais, na Colômbia, em Malta, Itália e Alemanha.

Ficha técnica:
Idealização e atuação: Andreia Duarte
Direção e preparação corporal: Juliana Pautilla
Dramaturgia e cenografia: Andreia Duarte e Juliana Pautilla
Criação de luz: Ronei Novais
Trilha sonora: Carlinhos Ferreira
Criação de vídeos: Natália Machiavelli
Direção de arte e produção de arte: Alice Stamato
Fotografia: Fernanda Procópio
Operação de som, luz e vídeo: Bruno Carneiro. Criação gráfica e teasers: Daniel Carneiro
Registro em vídeo: Daniel Carneiro, Robson Timóteo ​ e Anderson Chocks​
Assessoria de imprensa: Willian Rafael

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