Melancia usa a pornografia para refletir sobre a crise das relações humanas

Crédito: Cia Monstro

Todo dia é dia de teatro! A primeira montagem da Cia Monstro faz temporada inusitada no Espaço Viga de segundas, terças e quartas de 5 a 21 de junho sempre às 21h.

Matéria: Divulgação

Tendo o universo pornográfico como inspiração, Melancia nos coloca frente a frente com uma cidade em que as relações sociais se dão de forma explícita, apenas pela lógica do consumo. Com Sol Faganello, Ana Paula Lopez, Paulo Vinicius e Victor Mendes – que também assina a direção, a montagem estreia no Espaço Viga dia 5 de junho, às 21h até 21 de junho de segundas, terças e quartas. Dramaturgia de Carolina Bianchi, Vinicius Calderoni e Cia Monstro.

No espetáculo, quatro artistas moram em uma cidade que vive seus piores dias numa grande crise e dividem o sonho de realizar uma obra cinematográfica de sucesso. Com seus equipamentos precários de filmagem produzem pequenos roteiros de cinema. Com pouco ou quase nenhum recurso, eles se dividem nas funções de diretor, editor, sonoplasta, produtor e atores de seus próprios filmes. Tudo o que produzem não vende.

Como tentativa de superar a crise eles buscam maneiras de se reinventar em seus trabalhos para conseguir sobreviver e ao mesmo tempo solidificar um projeto comum. Ao focar na grave crise hídrica decidem, como tema da produção, substituir água por melancia, transformando-a num grande fetiche de consumo. Com o fracasso iminente de todas as ideias, os quatro chegam a uma solução mais apelativa, a pornografia.

A fábula e realidade se misturam a todo momento durante a montagem. As funções dos artistas da ficção, em busca da criação de sua obra cinematográfica, se fundem com as dos atores em cena, criando um jogo fresco e vivo durante as cenas. A encenação ágil e efêmera reflete o dinamismo e a velocidade característicos do nosso tempo. A lógica pornográfica, onde tudo é descartável, revela nossa condição atual, sempre ligada à satisfação imediata de nossas necessidades. Tudo que busca alguma profundidade morre.

Inicialmente estimulado pelo filme “O Sabor da Melancia” de Tsai Ming Liang, a peça teve seu início dentro da universidade sob orientação de Cristiane Paoli Quito. Fora do âmbito acadêmico, o cinema continuou como elemento essencial para criação do grupo. Além da inspiração do filme japonês, agora  projeção e a presença da câmera para projeção ao vivo também integram a encenação do espetáculo.

Além do recurso audiovisual, a dança contemporânea também tem influência estética na encenação deste trabalho na medida em que as propostas de desenho no espaço se fundem com a próxima cena. Possibilitando que um solo com extrema delicadeza se desdobre numa cena coletiva com movimentos rápidos e frenéticos. Os corpos que atravessam essa peça são corpos firmes e vorazes, com a busca do desenho no espaço. A coreografia é assinada pela bailarina e atriz do espetáculo Ana Paula Lopez.

A pornografia está presente na temática e na forma do trabalho. “A lógica do consumo provoca um tipo de relação insaciável, em que observo meu objeto de desejo, almejo fortemente e me apodero para consumir e logo em seguida despertar meu desejo novamente, é próprio do mundo consumista a sensação de que nunca estamos satisfeitos”, explica Victor Mendes, ator e diretor da montagem.

Umberto Eco diz que a pornografia é a arte da ausência de elipses. Melancia não tem elipses. A história é contada ao passar por cada etapa, revelando as dificuldades que estão presentes no fazer teatral. “A transposição da linguagem utilizada nos filmes pornográficos é uma fonte de pesquisa para este espetáculo, Deixamos o espectador como voyer do ato teatral, sem truques ou soluções fáceis, observando os atores expostos “nus” na sua função”, finaliza o diretor.

Assim como na hora da transa pela primeira vez, em que cada movimento é uma descoberta, tudo o que entra em cena e sai dela de cena acontece aos olhos dos espectadores, sem máscaras ou proteções, revelando os caminhos e as descobertas. Estreando seu primeiro espetáculo, a Cia Monstro aposta no dinamismo e efemeridade das cenas para falar do contemporâneo.

Ficha técnica:
Texto: Carolina Bianchi, Vinicius Calderoni e Cia Monstro
Direção: Victor Mendes
Assistência de direção: Sol Faganello
Elenco: Ana Paula Lopez, Paulo Vinicius, Sol Faganello e Victor Mendes
Orientação artística: Cristiane Paoli Quito
Desenho de luz: Beto Bruel
Coreografia: Ana Paula Lopez
Vídeos e fotos: Sol Faganello
Edição de Fotos: Pedro Costa
Assessoria de imprensa: Renan Ferreira
Realização: Cia. Monstro, Algazarra Produções, Damas & Cia e V.EME Produções Artísticas.

Serviço:
Melancia (de 5 a 21 de junho)
Quando: segundas, terças e quartas (21h)
Local: Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente 1.323, Pinheiros)
Ingressos: R$ 40,00
Classificação: 18 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 75 lugares

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