Neves Torres e Manuel Graciano na Galeria Estação

Crédito foto: Rodrigo Casagrande

Abertura: 28 de março – 27 de maio de 2017

Matéria: Divulgação

Com curadoria do artista Rodrigo Bivar, a Galeria Estação realiza a exposição de dois artistas de seu elenco:o pintor Neves Torres (Conselheiro Pena/MG, 1932) e o escultor Manuel Graciano (Santana do Cariri/CE, 1923-2014). Em comum,as obras selecionadas demonstram particular uso da cor e a maioria exalta a natureza em construções livres e poéticas. “ Acredito que na obra dos dois artistas há algo de muito profundo, arcaico e respeitoso em relação ao homem e à natureza”, afirma Bivar.

Segundo o curador, as telas de Neves Torres são divididas em áreas de cor bem definidas: uma pintura planar que revela um absoluto domínio da cor. “Essa planaridade é vez ou outra cortada por “coisas” como árvores, casas, pedras, morros, plantas e bichos, sem hierarquia narrativa – tudo tem a mesma importância”, ressalta.

Para quem começou a pintar tardiamente, estimulado pelos filhos, Neves Torres conquistou especial espaço no meio artístico. No ano em que foi realizada a sua primeira individual na Galeria Estação, em 2012, o artista mineiro também participou da coletiva Histoiresde Voir(Histórias para ver), na prestigiada Fundação Cartier, em Paris, a convite do diretor da instituição, HervéChandès, que adquiriu obras do artista para o seu acervo depois da mostra.

Antes de assumir o ofício, Neves Torres atuou em diversas profissões, trabalhando no campo e na cidade, da enxada ao trator de esteira. Hoje, vive com a família em Serra, cidade próxima a Vitória (ES), num cotidiano urbano, nada parecido com as paisagens campestres que costuma retratar. Suas pinturas são dos lugares em que já viveu e não do lugar urbano onde mora atualmente. “Mesmo que agora esteja mais para o litoral do que para os campos de Minas, a casa de um homem não é só aquela que tem o teto que o abriga, é também o que ele traz dentro de si, não importa para onde vá”, completa o curador.

Já Manuel Graciano, nascido em Santana do Cariri, no Ceará, viveu desde pequeno em Juazeiro do Norte, cidade cearense do também consagrado Nino (1920-2002), de quem percebeu a potência criativa para conceber a sua própria linguagem.Para Bivar, igualmente ao pintor mineiro,Graciano domina as cores “para as entregar com destreza às formas esculpidas”.

Nas composições trabalhadas em monoblocos de madeira, as figuras de animais parecem acomodadas ao tronco. O curador destaca que os bichos, cobras, onças, sapos, tatus, lagartos estão muitas vezes em permutação ou comendo-se literalmente uns aos outros. Em relação aos dentes sempre visíveis de seus bichos, Bivar indaga se estarão rindo, com fome ou defendendo-se. “Ora parecem assustadores, ora cômicos. Existe algo de absurdo em suas esculturas”, completa.

Os trabalhos são feitos na chamada madeira fechada, como um totem, e também em madeira aberta, como nas figuras humanas e na obra em que a calda de um pássaro é composta pelo desenho do tronco.

Manuel Graciano começou a esculpir com 10 anos, fazendo pilões, gamelas e brinquedos que vendia par outras crianças. Casado e com filhos produziu ex-votos e presépios. Tal como Neves Torres, asua obra ganhou destaque no cenário das artes. Entre as exposições estão Brésil, ArtsPopulaires, no Grand Palias, Paris (1987), Mostra Redescobrimento, Brasil, Fundação Bienal (2000) e suas obras fazem parte de acervos importantes.

Serviço:
(de 29 de março a 27 de maio)
Quando: de segunda a sexta (das 11h às 19h) e sábados (das 11h às 15h)
Ingressos: entrada franca
Local: Galeria Estação (Rua Ferreira de Araújo, 625, Pinheiros)

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