Sínthia volta para quarta – e  curta – temporada. A partir dia 20 de novembro no Capobianco

Matéria: Divulgação

APCA de melhor direção para Kiko Marques, peça conta a história de Vicente, esperado por sua mãe como menina. No elenco estão, além do próprio autor e diretor, Denise Weinberg, Silvio Restiffe, Alejandra Sampaio, Virgínia Buckowski, Marcelo Diaz, Willians Mezzacapa, Marcelo Marothy e Valmir Sant’anna.

Cotado pela crítica como um dos melhores espetáculos de 2016, Sínthia volta para sua quarta – e curta – temporada na cidade. Sorte do público, que terá mais uma oportunidade para conferir a montagem da Velha Companhia, a partir de 20 de novembro, às segundas e terças às 20 horas, até 19 de dezembro, no Instituto Cultural Capobianco. Prêmio APCA de Melhor Direção para Kiko Marques, além de indicação ao Shell de Melhor Atriz (Denise Weinberg) e Melhor Diretor, o espetáculo recebeu também indicações ao Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Diretor e Autor para Kiko Marques, Melhor Trilha Original para Tadeu Mallaman e Melhor Atriz coadjuvante para Virgínia Buckowski.  A nova temporada do espetáculo é também uma realização do Instituto Cultural Capobianco e tem patrocínio da Construcap e Goiasa.

A peça fez sua primeira leitura dramática, em 2013, no Projeto Terceira Margem III, do Capobianco. A atriz Denise Weinberg, do Grupo Tapa, juntou-se ao elenco da Velha Companhia para assumir o papel da mãe de Vicente, o protagonista da trama, participando da pesquisa que originou o texto de Kiko Marques(prêmios Shell, APCA, Aplauso Brasil e Qualidade Brasil por CAIS ou Da Indiferença das Embarcações). Com o apoio do 24º Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo e do Instituto Cultural Capobianco, o grupo realizou um vasto ciclo de palestras, pesquisa histórica e improvisações cênicas em cima dos temas Transgeneridade e Ditadura.

Como nas peças anteriores – Cais ou Da Indiferença das Embarcações, Crepúsculo, O Travesseiro e Brinquedos Quebrados – Kiko inspirou-se em histórias pessoais. Nascido em março de 1965, um ano após o golpe militar que depôs o presidente João Goulart e colocou o país em uma ditadura, o autor foi esperado como menina por sua mãe. O enxoval era todo cor de rosa e seu nome, Sínthia. Na época seu pai era major da PM do Rio e a mãe, uma mulher aprisionada em um mundo patriarcal e machista. “A partir desse mote e do paradigma da repressão como forma de amor, além da questão da identidade de gênero, resolvi criar uma obra que falasse de compaixão. A peça conta as histórias de Maria Aparecida e seu caçula Vicente, desde seu nascimento em 1968 até o Natal de 2013 quando chega para a ceia vestido como Sínthia, nome que teria se tivesse nascido menina”, conta Kiko.

A trama se passa no Rio de Janeiro de 1964, com o policial Luiz Mário e a dona de casa Maria Aparecida vividos por Sílvio Restiffe (nesta temporada no lugar de Henrique Schafer) e Alejandra Sampaio (no papel da mãe na fase mais jovem). O casal tem três filhos e sonha com a chegada de uma garota. O autor e diretor interpreta o papel de Vicente. Na segunda fase, a viúva Aparecida (representada por Denise Weinberg) esconde uma doença terminal e tenta contornar a instabilidade financeira do caçula, que é músico erudito e mora em São Paulo com a mulher (Virgínia Buckowski) e duas filhas. Sínthia é o nome que o personagem se dará aos 50 anos, percebendo que, de fato, era uma mulher no corpo de um homem.

“A peça fala de uma transformação necessária e ininteligível como tudo o que é necessário, e sobre a incapacidade de aceitar aquilo que não se possui. Matamos aquilo que não entendemos”, completa Kiko Marques. Escrita em 2014, a obra, para o próprio Kiko, “se mostra atual e necessária pela maneira como a intolerância alicerçada em certezas e interesses, vem se tornando o modo principal de nos relacionar tanto no campo pessoal como social”.  Criada para a peça por Tadeu Mallaman,  a música Sinfonia da Compaixão é executada ao vivo pelo quarteto e cordas Quadril.

Sobre a Companhia

A Velha Companhia surgiu em 2003 em São Paulo. Foi formada por Kiko Marques, Alejandra Sampaio e Virgínia Buckowski. Desde então, sua pesquisa continuada, com enfoque numa dramaturgia que nasce de um processo colaborativo, bem como montagens de textos que dialogam com essa pesquisa, gerou os seguintes espetáculos: Valéria e Os Pássaros, de José Sanchis Sinisterra (2015) Cais ou Da Indiferença das Embarcações (2012/13/14/15/16), O Travesseiro (2011/10/09), Ay, Carmela! (2011/10/09/08), Crepúsculo (2006/05) e Brinquedos Quebrados (2004/03).

Ficha técnica:
Autoria e direção: Kiko Marques
Elenco: Denise Weinberg, Henrique Schafer, Alejandra Sampaio,Virgínia Buckowski, Kiko Marques, Marcelo Diaz, Willians Mezzacapa,Marcelo Marothy e Valmir Sant’anna
Diretora de produção:  Patricia Gordo
Cenografia: Chris Aizner
Desenho de luz: Marisa Bentivegna
Figurinos: Fábio Namatame
Direção musical e trilha original: Tadeu Mallaman
Preparação e desenho de movimento: Fabrício Licursi
Consultora vocal: Fernanda Maia
Consultor histórico: Ricardo Cardoso
Assistente no processo dramatúrgico: Cristina Cavalcanti
Colaboradores do processo dramatúrgico: Marcelo Laham e Maurício de Barros
Quarteto de cordas: Violino (Mica Marcondes), Violino (Alice Bevilaqua), Viola (Elisa Monteiro) e Cello (Vana Bock)

Serviço:
Sínthia (de 20 de novembro até dia 19 de dezembro)
Gênero:
Drama
Quando: segundas e terças (20h)
Local: Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97, Centro)
Ingressos: R$ 20,00
Duração: 165 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 50 lugares

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