Tempo de Brincar lança seu quinto álbum para os pequenos, Ciranda dos Orixás, no SESC Pompeia

Crédito: Ricardo Camargo

O novo trabalho reafirma o compromisso da companhia com a pesquisa sobre a mitologia afro-brasileira e cria ponte com o universo infantil, por meio de figuras como sereias, caçadores e guerreiros, celebrando o respeito pela ancestralidade

A apresentação conta com canções originais, compostas por Valter Silva, que trazem ritmos como o ijexá, jongo, samba de roda, dentre outros, e histórias sobre crenças e saberes populares

Matéria: Divulgação

O musical inspirado na mitologia afro-brasileira, Ciranda dos Orixás, apresenta canções originais que fazem uma homenagem aos orixás e aos cânticos e ritmos de tradições e matrizes africanas. O espetáculo acontece nos dias 8, 9, 15 e 16 de julho, às 12h, no Teatro do Sesc Pompeia.

Ciranda dos Orixás, que traz 12 faixas, brinca com uma variedade de ritmos como o afoxé, o maxixe, o tambú, o samba de umbigada e a ciranda em arranjos vocais e instrumentais para viola caipira, violão, flauta, sax, e percussão, propondo ao público conhecer a riqueza dessa cultura ancestral em diálogo com a linguagem contemporânea.

“Os arranjos de percussão foram criados pelo músico Barba Marques e dão o tom lúdico junto das melodias com arranjos para viola caipira, acordeom, e vários instrumentos de cordas e sopros”, explica Valter Silva.

Os orixás são manifestações da natureza para o povo yorubá: é o mar, o rio, as matas, o céu, a terra, a chuva, o arco-íris. São infinitos os orixás, tantas possíveis combinações entre um elemento e outro. Cultuados no Brasil, os orixás e manifestações similares como voduns (Fon) e inquices (Angola/ Congo) são parte de um gigante legado cultural e humano de povos da África.

É nesse universo que transita o quinto álbum do grupo Tempo de Brincar, companhia criada há mais de uma década pelo músico e compositor Valter Silva e pela artista visual e atriz Elaine Buzato. O trabalho atual é fruto do compromisso da companhia com a pesquisa, seja por meio das referências, ou na imersão da dupla por diversos estados e comunidades do Brasil.

Descrevendo poeticamente as relações entre os orixás e os elementos da natureza, narrando cenas de festas tradicionais e brincadeiras populares, as letras de Valter Silva são como os orìkís – poemas, textos, rituais ancestrais, que narram à história de determinada divindade.

“Mas não estamos tratando de crença, até porque o que se chama de religiões afro-brasileiras não obedece à lógica de outras liturgias religiosas que estão ligadas aos escritos, a uma liturgia ocidental, com caráter de doutrinação. Estamos falando de cultura, de influência, de diversidade, desse universo mítico e simbólico que também é o universo da linguagem da infância”, explica Elaine Buzato, diretora de arte e de música da companhia.

Ritmo e cores em celebração

As composições e arranjos levam a um passeio pelos interiores do Brasil como em Tambu pro Saci, música que traz referências ao grupo de batuque de umbigada de Tietê/Piracicaba/ Capivari – região próxima a Sorocaba, interior de São Paulo, onde está a sede do Tempo de Brincar.

No Jongo para São Benedito, o ritmo de palmas convida para a brincadeira, criando um cenário de roça de café. No ritmo de maxixe, a faixa Saudação aos Orixás é um trava língua sonoro que se constrói com as saudações cantadas pelo coro infantil. Na canção Oxumaré, o ciclo da água na terra aparece na letra que se repete e vai mudando de tom, como se fosse subindo em cada cor do arco-íris, contando a história dessa divindade que também é simbolizada pela cobra e faz a união entre dois planos.

O material gráfico criado por Elaine Buzato tem um cuidadoso tratamento artesanal com delicadas ilustrações feitas em cabaças. Para a cultura iorubá, esse elemento tão importante para construir ritmos, cuias, representa também o mundo. Uma cabaça aberta em duas partes carrega o òrun e o àiyé – o céu e a terra.

Com este trabalho, a companhia Tempo de Brincar dá mais um passo em direção à sua linguagem do afeto que tenta, de forma lúdica e sem preconceitos, estimular o aprendizado pela diferença e o interesse por outras culturas.

Faixas:
1-Saudações aos Orixás
2-Orixás e a natureza
3-Amor e Oxum
4-Oxóssi
5-Oxumaré
6-Jongo de São Benedito
7-Atotô Obaluaiê
8-São Jorge, Ogum
9-Ibeji Omodé
10-O menino e a Sereia
11-Tambu pro Saci
12-Ciranda dos Orixás

Ficha técnica:
Valter Silva: composições, direção musical, voz, violão e arranjos;
Barba Marques: arranjos para percussão: Agogô, Caxixí, Congas, Pios, Pandeirão, Pandeiro, Mineiro, Pau de chuva, Sementes, Calimba, Vaso, Alfaia, Caixa de ciranda, Triangulo, Matracas;
Júlio Paz: direção musical, piano, tuba (sampler), efeitos, arranjos e vocal;
Elaine Buzato: voz, direção musical, flauta transversal e pífano;
Zeca Collares: viola caipira;
Diego Garbin: trompete;
Beto Correa: acordeon;
Marcel Bottaro: contrabaixo acústico;
Bruno Pereira: trombone;
Luiz Antony: violoncelo e rabeca;
Marco Correa: percussão: agogô, caixinha, alfaia, mineiro;
Alexander Souza: saxofone, piccolo e flauta transversal;
Coro das Crianças: Beatriz Buzato, Maria Clara Leite, Sofia Moris, Maria Luiza, Júlia Paz
Coro dos marmanjos: Neide Buzato, Elaine Buzato, José Simonetti, Valter Silva, Júlio Paz
Participações especiais: Inaicyra Falcão, Mariana Buzato.
Gravação, mixagem e masterização: JCP Estúdio / Sorocaba – SP / Voz Inaicyra Falcão gravada no Estúdio Cachuera / SP
Encarte: Ilustrações, bordados, concepção e direção de arte de Elaine Buzato
Fotografia: Ricardo Camargo
Arte do encarte: Leonardo Galepp
Consultoria em comunicação e texto: Marcelo de Troi

Serviço:
Tempo de Brincar – Lançamento do álbum Ciranda dos Orixás (08, 09, 15 e 16 de julho)
Quando: Sábados e domingos (12h)
Local: Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93, Pompéia)
Ingressos:
– R$ 5,00 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes);
– R$8,50 (credenciado*/usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino)
– R$ 17,00 (inteira);
– Crianças até 12 anos não pagam.
Classificação: Livre

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