Crédito da matéria: Divulgação

Com título inspirado no nome artístico de sua avó, que foi atriz de teatro e rádio-novela nos anos 60 no Peru, Lucha Castillo, “Lucha - recordar o que há em nós” condensa uma jornada com mais de 20 anos de busca da atriz-criadora, Marília Amorim, pela própria história e identidade. O acesso interditado à família paterna, que só se tornaria consciente na vida adulta, era o fio de uma intrincada trama, marcada pela ruptura de seu pai com a própria família durante as ditaduras na América Latina.


“Lucha - recordar o que há em nós” foi construído a partir dos fragmentos de memória resgatados pela atriz durante os três anos de pesquisa e criação da obra, que se utilizou de fontes autênticas, como cartas, diários, objetos, entrevistas, fotografias, relatos orais, memórias pessoais, registros de viagens etc. para criar uma narrativa cênica que transcende os limites de relato biográfico, traduzindo-se como uma recriação da própria história no campo poético, trazendo uma reflexão profunda sobre o que compõe nossa memória e identidade, o quanto carregamos do que herdamos, mesmo sem o saber, e o que é que escolhemos transmitir e deixar aos que virão depois de nós.


Erguida de forma independente, a obra é o primeiro espetáculo solo da atriz, que após uma trajetória de mais de 25 anos em processos artísticos realizados em teatro de grupo, lança-se nesta produção autoral junto ao seu grupo IMPULSO Coletivo.


Sinopse:


Sem saber-se uma chasqui - mensageira atemporal do Império Inca, e herdeira de um enorme quipu, um sistema de arquivo com memórias atadas em fios e nós, a atriz parte em jornada buscando reconstruir aquilo que ainda não é capaz de decifrar.


Seu ponto de partida é o encontro com uma enorme ausência, que aos poucos vai desvelar a história de seu pai, migrante peruano que chegou ao Brasil nos anos 70, e a faz restaurar a história da família paterna que não conheceu, recebendo legados preciosos, como o diário de bordo de uma tia que atravessou o oceano Atlântico em um veleiro e o violão de sua avó, Dona Lucha, que foi atriz de teatro no Peru.


A partir de um enredo que mescla ficção e história familiar, a atriz mergulha em sua própria história enfrentando os medos, tabus e segredos dos seus ancestrais, operando o ato de recordar como um gesto que dá novos sentidos ao tempo presente e aos que permanecem depois de nós.


Serviço:

Lucha, recordar o que há em nós (de 10 de outubro a 01 de novembro de 2026)

Gênero: Drama

Quando: Sábados (20h) e domingos (18h)

Local: Espaço Cultural A Próxima Cia. (Rua Barão de Campinas, 529, Campos Elíseos, São Paulo/SP)

Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada)

Duração: 75 minutos

Classificação: Livre

Capacidade: 40 lugares

Cafeteria: Sim

Acessibilidade: Não


Ficha técnica:

Concepção, dramaturgia e atuação: Marília Amorim

Direção: Jorge Peloso

Cenografia: Marcela Pupatto

Figurino: Gabrielli Lecoña

Documentarista e arte: Alícia Peres

Trilha sonora: Ale Vianna

Preparação musical - charango: Gregorio Lazo

Preparação Corporal - danças andinas: Quillay Mendez

Iluminação: Camila Andrade

Design gráfico: Guilherme Antunes

Assessoria de imprensa: Flavia Fusco Comunicação

Produção executiva: Marília Amorim e equipe

Realização: IMPULSO Coletivo


Sobre a montagem


A montagem de “LUCHA - recordar o que há em nós” é um trabalho solo e autoral, fruto de uma longa jornada da atriz em busca de sua identidade peruana, de sua ancestralidade andina e nos rastros de muitas perguntas sem respostas na história de sua família paterna.


O pai da atriz, assim como muitos migrantes latinos, havia vindo ao Brasil na década de 70 em busca de melhores condições de trabalho. Após fazer parte do movimento universitário contra a ameaça da ditadura em Lima, Peru, seu pai, Miguel, estabeleceu-se em São Paulo, numa espécie de autoexílio, fundando um novo início a sua história e identidade, “trancando” sua história pregressa dentro de si, o que incluía a ruptura do vínculo com o pai e uma grande ausência de notícias à mãe - Dona Lucha. A atriz nasce do recomeço da história de seu pai após uma jornada migrante de medo, violência de Estado, negação de sua própria memória.


Já adulta, a atriz “acidentalmente” conhece a cidade de Lima, Peru, numa viagem profissional e toma contato com parte de sua família, surpreendendo-se com a descoberta de uma parte desconhecida de sua identidade, mas que abriria uma série de perguntas e lacunas e uma jornada de autoconhecimento e ancestralidade.


Após o falecimento de seu pai no Peru em 2011, a atriz herda de sua tia mais nova, que vive na França, algumas poucas histórias de família e o violão que foi da sua avó Lucha, que havia sido atriz de teatro e radionovela em Lima. Segue em contato esporádico com esta tia até que em 2023, em nova visita a ela, consegue saber um pouco mais da história de sua família paterna e da fantástica história desta tia, que havia sido casada com um francês que tinha um veleiro e lhe ensinou a velejar. No fim da década de 80, tia Martha havia empreendido um grande feito junto a seu esposo - cruzaram o Oceano Atlântico, da França até a América do Sul, em seu pequeno veleiro, num período que não havia GPS ainda, percorrendo toda a costa brasileira e depois atravessando por terra todo o continente americano até chegar ao Peru. Esta grande travessia, que foi realizada mais de uma vez nos anos seguintes, foi registrada num diário de bordo.


Depois de tanto tempo, tendo recebido a tia uma sobrinha tão interessada em sua história familiar, Martha doa generosamente esse registro à atriz, junto com diários técnicos de navegação, constituindo um legado de inestimável valor simbólico, histórico e afetivo.


Após receber essas preciosas “heranças” de uma família tão desconhecida a ela, a atriz não teve dúvida em empreender um projeto que ousasse narrar essas histórias, que extrapolam o âmbito privado e familiar na medida em que nos coloca enquanto sociedade em confronto com profundos questionamentos humanos - em que medida somos o que herdamos dos nossos antepassados? Como a memória ou a ausência dela nos compõe enquanto indivíduos? O direito à memória pra quem?


Marília Amorim


Mulher, atriz, professora, mãe da pequena Luiza, filha de migrante andino, atualmente em plena jornada em busca de sua ancestralidade.


Mestre em Artes Cênicas pela UNESP, onde pesquisou o treinamento como processo de investigação do ator-criador. Atriz formada pelo SENAC SP e arte-educadora pela UNESP (Licenciatura em Educação Artística – Artes Cênicas). Realizou cursos com Steven Wasson & Corinne Soum, Desmond Jones, Carlos Simioni, Ana Cristina Colla, Luis Louis, Eduardo Okamoto, Vera Sala, Samir Yasbek, entre outros.


Integrante da Cia. Artística Pombas Urbanas por quatro anos, participou de temporadas em instituições como TBC, FUNARTE, SESCs, SEBRAE-SP, entre outras, além de festivais internacionais em Curitiba, Lima, Barcelona (Venezuela) e Havana.


É fundadora do IMPULSO Coletivo (2007), com o qual atua como atriz e produtora, realizando apresentações em diversas cidades do Brasil. Com este grupo, integra desde 2013 a rede internacional de teatro de grupos KNOTS.NUDOS.NÓS, tendo participado de edições na Argentina, Bolívia e Brasil. Atuou na gestão e produção da edição KILOMBO do Festival KNOTS.NUDOS.NÓS em São Paulo (2024), na qual o grupo foi anfitrião de mais de 80 artistas participantes.