Com mais de quatro décadas dedicadas ao teatro e à palhaçaria, Raul Barretto parte da própria trajetória para refletir sobre o tempo, o envelhecimento e a permanência do artista em cena. Primeiro texto de sua autoria, Despalhaço também marca seu primeiro solo adulto. Barretto assina ainda a direção da montagem, que reúne teatro, circo, improvisação, malabares e recursos audiovisuais. O espetáculo estreia no dia 27 de agosto, no Auditório do Sesc Vila Mariana, onde permanece até 5 de setembro, com apresentações às quintas, sextas e sábados, às 20h30.
Próximo dos 70 anos e com 44 anos de carreira, Barretto revisita experiências pessoais e transformações coletivas enquanto discute o lugar da arte na sociedade contemporânea. O solo faz parte da comemoração de 35 anos do Grupo Parlapatões, do qual faz parte ao lado de Hugo Possolo, e chega 15 anos depois de seu primeiro solo infantil, O Bricabraque.
Com uma trajetória também ligada à criação de espaços de formação e difusão teatral em São Paulo, Barretto é sócio co-fundador do Espaço Parlapatões, que completa 20 anos, e um dos idealizadores da SP Escola de Teatro, onde coordena a Linha de Estudo em Humor há 16 anos.
Em Despalhaço, Barretto parte dessas experiências para examinar o caminho percorrido e as mudanças que testemunhou dentro e fora dos palcos. A contagem do tempo torna-se um dos eixos da dramaturgia, que coloca em cena questões relacionadas à longevidade, à memória e às perspectivas de futuro em uma sociedade marcada pela aceleração e pela fragmentação.
A dramaturgia se organiza em três planos temporais. O passado recupera momentos da carreira do ator e de sua relação com o teatro e a palhaçaria. O presente aborda temas como desenvolvimento, sustentabilidade, inteligência artificial e a função social do artista. O futuro aparece como um campo de dúvida e possibilidade, a partir do qual o espetáculo investiga outros modos de relação entre os seres humanos e o planeta.
“O mais urgente é reafirmar a importância de vivermos em comunidade e em harmonia, conseguindo divergir sem transformar o outro em inimigo. O palhaço mostra o ridículo que vivemos e pode nos levar a alguma consciência”, afirma Barretto.
Em cena, o ator combina texto e improvisação com técnicas circenses como malabares, monociclo, chicote e facas. O cenário criado por Diego Dac tem como elemento central um tecido que assume diferentes funções e significados ao longo da apresentação. Projeções acompanham toda a encenação e integram imagens, vídeos e depoimentos à passagem do artista pelo tempo.
A pesquisa reúne referências de diferentes áreas do conhecimento. Entre elas estão o filósofo Diógenes, os cientistas Marcelo Gleiser e Carl Sagan e estudos sobre a formação das sociedades humanas, os povos indígenas, a consciência e a inteligência. A criação também dialoga com o trabalho do artista Jaider Esbell, da arqueóloga Niède Guidon e dos pesquisadores Eduardo Neves e Miguel Nicolelis.
O título Despalhaço sintetiza as transformações do artista ao longo da vida, sem representar um afastamento da palhaçaria. “O palhaço é uma criança eterna. Manter esse olhar, ao mesmo tempo inocente e crítico, é algo que o ser humano não deveria perder. A permanência no palco também nasce dessa busca pelo diálogo e pelo olho no olho”, diz Barretto.
Ficha técnica:
Texto, atuação e criação: Raul Barretto
Preparação de ator e direção de cena: Antônio Januzelli
Assistência de direção: Helena Cerello
Direção de produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques
Cenário e adereços: Diego Dac, Luana Miyamoto e Xapiri Ateliê Artístico
Figurino: Claudia Schapira
Projeto de som e trilha sonora: Deivison Nunes e Raul Barretto
Iluminação e técnica de luz: Reynaldo Thomaz
Projeto multimídia e audiovisual: Deivison Nunes e Raul Barretto
Colaboração no projeto multimídia e audiovisual: Marcelo Machado
Técnica de audiovisual: Deivison Nunes
Provocação artística: Suzana Aragão
Arte gráfica: Werner Schulz
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli
Realização: Sesc
Produção geral: Companhia Vadabordo e Rodri Produções
Serviço:
Despalhaço (de 27 de agosto a 5 de setembro de 2026)
Quando: Quinta a sábado (20h30)
Local: Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo/SP)
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 130 lugares
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia entrada) e R$ 15,00 (credencial plena)
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